Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
O conceito de Arte é muito amplo, mas consiste, entre muitas coisas, na maneira de apresentar diferentes universos, o filósofo Nietzsche reforça que “a Arte deve antes de tudo e em primeiro lugar embelezar a vida”, nesses parâmetros surge uma manifestação artística urbana que além de exaltar cor e beleza nas cidades, serve de ponte para críticas sociais, dominada pelas pessoas “mundanas”, esse modelo ainda é muito criticado.
Este tipo de intervenção artística é marginalizada, há ainda um grande preconceito ao relacioná-la com vandalismo, talvez por conta das pessoas menos favorecidas que as fazem. Mas o movimento em si rompe diariamente com tais paradigmas ao trazer suas vivências em forma de pinturas nas ruas onde diferentes tipos de pessoas passarão e poderão refletir em uma didática acessível, afinal está tudo ali, nos prédios. Também pode ser notado a facilidade para se retratar culturas, como em cidades sertanistas de Pernambuco, em que estão estampadas nas ruas cordéis e suas poesias.
Outra razão para tamanha aversão a esta modalidade artística se deve ao fato de que muitas das obras trazem reflexão sobre questões políticas e sociais, como o grafite do presidente brasileiro em um beijo com o então presidente estadunidense em 2018, inspirado na pintura do derrubado Muro de Berlim do beijo entre os dois líderes da URSS, o desenho não durou mais de 48 horas até ser apagado por apoiadores políticos. Talvez por isso há tamanha desconsideração, mas se a arte instigou e incomodou o modo de pensar, signifca que está indo no caminho certo.
A caminho de uma harmonia social se faz necessário que haja uma ação promovida nas escolas, através do Ministério da Educação, com palestras a fim de informar o valor cultural que essas intervenções possuem e quão necessárias são para aqueles que não têm “vozes” perante sistemas, com isso se formarão jovens conscientizados e receptivos para esta diferente maneira de entretenimento.