Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
A arte urbana surge na década de 70, no Brasil, mais especificamente em São Paulo, como uma forma de expressão e fala, perante a ditadura militar que estava caminhando para ser implementada no país. No entanto, o período ditatorial aparenta ter deixado marcas consideráveis na produção artística, visto que muitos produtores, principalmente do grafite, são silenciados e minimizados constantemente pelo poder público e até mesmo pela população, que julga tais representações de forma errônea e equivocada, formando uma sociedade pobre de cultura, virtude essencial socialmente e que, para Visconde de Bonald, filósofo francês, forma sábios.
Nesse contexto, pode-se destacar os muros da Avenida 23 de Maio, em São Paulo, que representavam uma grande forma de expressão de rua, mas foram apagados pela prefeitura. Esse acontecimento, além de ter desrespeitado e invalidado todo um trabalho, foi um passo para trás na luta árdua, principalmente dos grafiteiros, para a intensificação de seus trabalhos, como afirmou Bárbara Goy - uma das integrantes que participou da criação desse mural. Desse modo, todo o processo de construção e representatividade foi jogado para o alto a custo de nada.
Nessa perspectiva, comprova-se que há, ainda, uma visão conservadora em relação à classe, já que a prática do grafite, principalmente, é vista como vandalismo e poluição visual por muita gente, evidenciando que a população é carente ao extremo em relação a arte, não sabendo reconhecer uma representação artística e seus significados. Sendo assim, nota-se a minimização e dificuldade no que tange o enfrentamento dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Essa problemática compromete todo o embelezamento das cidades e formas de movimentação, em especial das minorias, que veem as representações como meio, também, de reinvindicação social, política e religiosa.
Para o filósofo inglês Thomas Hobbes, é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda coletividade. Sendo assim, faz-se necessária a efetivação de projetos estatais que visem a intensificação e estabilidade da produção artística urbana como uma forma de representação cultural e social no Brasil. É fundamental a junção do Estado com o ministério da Cultura afim de promover palestras, debates e trabalhos em geral, principalmente em escolas e aglomerados de pessoas com o objetivo de divulgar e acabar com os desafios tão difíceis que dizem respeito à problemática. Outrossim, meios de comunicação como televisão, rádio e internet devem ser usados para avultar o trabalho artístico em todos seus âmbitos e contextos.