Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
Na época da Grécia Antiga, Aristotéles - um dos mais brilhantes filósofos da humanidade - já pontuava que a arte é uma mímese criada pela natureza humana para representar a realidade. Hodiernamente, no Brasil, as definições de arte expressam limitações e heranças europeizadas e, infelizmente, permanecem ligadas à classe social dominante. Nesse sentido, convém a análise das causas dessa conjuntura, bem como do poder que escola possui para alterar a mentalidade os cidadãos brasileiros.
Em primeira análise, é válido ressaltar que o conceito de arte é algo processual, isto é, está diretamente relacionado às ideologias e ao contexto histórico imperante no momento em que tal elemento foi criado, além da perspectiva cultural. Dessa forma, o Brasil, por exemplo, ainda sofre uma maciça influência da colonização europeia, responsável pela imposição de um ideal de arte baseado nos princípios que exaltavam os trabalhos das classes altas e marginalizavam as técnicas dos menos abastados. Sob esse aspecto, é perceptível, até hoje, o estigma dirigido à arte urbana, a qual sofre com a desvalorização do governo e da própria comunidade civil, enquanto é erroneamente associada ao vandalismo e ao mundo da criminalidade.
Cabe mencionar, também, a herança da ditadura militar no país(1964-1985) - que censurou e desvalorizou os diversos tipos de arte, como a música, o teatro e o cinema. Com isso, é inegável que os jovens, os quais sofriam forte coerção nas escolas, foram influenciados a depreciar os meios artísticos. No entanto, o filósofo britânico Richard Wolheim caracteriza a arte como uma forma de vida, e tal passagem faz alusão à relevância que esse meio tem na vivência do cidadão. Portanto, é imprescindível salientar a importância da escola no ensino da arte de rua e na construção de uma mentalidade inclusiva, tendo em vista o papel formador dessa instituição, além de mitigar a ideia de que o aluno precisa estudar apenas as expressões artísticas das personalidades europeias ou das classes mais privilegiadas.
Diante do exposto, ficam claros, portanto, os desafios enfrentados para mudar a atual conjuntura brasileira - a qual desvaloriza os artistas periféricos, à medida que exalta as obras eruditas. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas públicas para a contratação de profissionais da arte urbana, a criação de projetos que levem esse trabalho às escolas. Essa medida deverá promover uma maior conexão entre os estudantes e o universo dos artistas marginalizados, a fim de reverter a mentalidade dos futuros cidadãos e construir um país mais inclusivo. Assim, o estigmas para com a arte periférica poderão ser redefinidos e superados.