Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade na expressão da atividade artística e de comunicação, independente de censura ou licença. Entretanto, é notório que a valorização da arte, sobretudo, urbana, torna-se um desafio, visto que não há plena efetivação de tal direito. Com isso, o estigma relacionado aos manifestos artísticos urbanos fomenta a sua marginalização na sociedade brasileira.
Nesse sentido, vale salientar a importância de combater preconceitos relacionados à “arte de rua”, defendendo a sua necessidade na formação da identidade do país. Em contrapartida aos aspectos apresentados, o documentário “Cidade Cinza”, dirigido por Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, retrata os desafios enfrentados por grafiteiros como “Os Gêmeos” que foram enaltecidos internacionalmente, mas tiveram algumas de suas obras apagadas com tinta cinza na cidade de São Paulo. Sob tal ótica, pode-se perceber a estigmatização relacionada aos artistas urbanos, com adversidades sociais e pouco incentivo governamental à manifestação artística, confirmando a desvalorização nacional de elementos da cultura brasileira.
Ademais, a marginalização da arte urbana identifica-se, veementemente, com o conceito sociológico de “margem social”, o qual engloba grupos desvalorizados numa estrutura socio-político-econômica. Diante desse cenário, muitas das produções artísticas urbanas contemporâneas, como performances, grafites, cartazes ou músicas, criticam tal vertente grave, entretanto, também sofrem tentativas de silenciamento. Contudo, é imprescindível incluir e enaltecer esses elementos da cultura popular, propugnando a sua relevância na formação crítico-reflexiva dos indivíduos e interação com a paisagem urbana.
Dessarte, para suscitar a valorização da arte urbana, é de suma importância que o Ministério da Cidadania realize propagandas televisivas nos horários de maior adesão do público e no formato de panfletos nas áreas mais movimentadas do país. Nas quais, deve conter obras e falas dos artistas urbanos brasileiros sobre a história das suas produções artísticas, com a finalidade de combater o estigma relacionado. Além disso, o Ministério da Educação deve acionar os centros educacionais para que haja palestras interativas sobre a necessidade de dar valor à “arte de rua”, redigidas por produtores e especialistas no assunto. A fim de contribuir para a identidade do Brasil e valorizar a “street art” brasileira.