Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
Durante a Idade Média, os chamados “trovadores” percorriam as cidades, recitando e cantando como forma de entretenimento. A essa forma de expressão dá-se o nome “arte urbana”. Contudo, a urbanografia tal qual é conhecida hoje, que vai desde as “estátuas vivas” ao grafite, surgiu nos Estados Unidos na década de 1970, chegando ao Brasil no mesmo período. Porém, em pleno século XXI, o Brasil apresenta desafios para valorizá-la. Assim, a estigmatização e o pouco incentivo são fatores que dificultam o envolvimento do público brasileiro com a “street art”.
Mormente, quando da chegada dessa arte, o Brasil enfrentava o regime ditatorial militar, em que a liberdade de expressão foi cassada. Apesar disso, grafites foram feitos em prédios para mostrar a insatisfação. Logo, um viés negativo foi-lhe atribuído desde o início pelas camadas conservadoras e o estigma de que é uma arte de “marginal” ainda persevera em diversas mentes. Dessa forma, há um empecilho ao tentar credibilizar esse movimento: a distância a que a história, o conceito e seus fundamentos artísticos encontra-se de grande parcela da população. Nesse contexto, a contemporaneidade corre o risco de perder os valores intrísecos a ele, que expressam a dinâmica da vida moderna, ressignificando os espaços e os embelezando.
Nesse interim, uma lei que descriminaliza a arte urbana já foi aprovada, o que configura um avanço na tentativa de valorizá-la. Entretanto, o país ainda nutre a necessidade de encarar o movimento como fomentador da consciência crítica, contribuindo para a pluralidade e para a inclusão social. Desse modo, apesar de apresentar maior acessibilidade às massas, não recebe notoriedade em detrimento da arte que compõe galerias e museus, já que há uma tendência por se julgar apenas o seu cárater mais informal e cotidiano, esquecendo-se da enorme expressividade e militância que adornam as obras. Rompendo, por conseguinte, com o filósofo Friedrich Nietzsche, o qual afirma que toda arte é um remédio para a vida.
Destarte, é imprescindível a adoção de medidas que atenuem o impasse. Para tal, faz-se necessário que o Ministério da Cidadania invista em campanhas de publicidade, nos meios de comunicação, que abordem informações diversificadas acerca do movimento artístico e de sua conexão com as questões da atualidade. Assim, diminuir-se-á o estigma e a desinformação, contribuindo para sua aproximação com os cidadãos. Ademais, instituições tradicionais, a exemplo do MASP - Museu de arte de São Paulo -, podem promover a aproximação do seu público com essa arte a partir de parcerias com os artistas de rua, no intuito de incentivá-los e reconhecer seu trabalho. Então, integrar-se-á a filosofia de Nietzsche à arte urbana no Brasil.