Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

O documentário “Pixo” expõe o impacto da pichação como fenômeno cultural na cidade de São Paulo e sua influência internacional -“street art” - de modo que mostre a realidade da expressão artística de rua e como ela comunica a diversidade cultural do país. Fora da ficção, essa arte urbana sofre entraves para ser valorizada no Brasil, e isso rompe com  o objetivo dela de: comunicar e denunciar lutas em diversos âmbitos . Diante disso, para haver a valorização da arte urbana, desafios como: preconceito social e negligência estatal precisam ser resolvidos, a fim dos artistas poderem se expressar de maneira harmoniosa.

A princípio, a arte urbana sofre muito preconceito social, pois grande parte dela vem da periferia, o que faz com que ela ganhe fama de “marginal”. Sob essa ótica,percebe-se como a ideia do “o que é arte” está relacionada ,para a maioria da pesssoas, apenas a grandes telas de museus com desenhos bem definidos e emoldurados, ou seja, um viés elitista. Isso tudo marginaliza a verdadeira identidade artística ,a qual é comunicar com culturas e pessoas de diversos âmbitos sobre a realidade social daquele indivíduo e tornar essa ação democrática. Logo, o olhar preconceituoso para um grafite, por exemplo, só amplia o enorme abismo social entre classes sociais muito diferentes.À luz disso, esse valor cultural torna a sociedade mais ativa na luta perante a cidadania democrática, prova disso é o primeiro registro de pichação registrado no Brasil, o qual protestava sobre a ditadura militar em 1964.

Somado ao preconceito, a negligência estatal faz com que a arte urbana não seja valorizada no Brasil.Diante desse cenário, é visível o quanto há problema na formulação legalista para essa expressão artística, pois além de encarecer a obra, de modo que a torne inacessível ,também não oferece espaços adequados para as pessoas trabalharem. Diante disso, em 2017 ,o prefeito da gestão de São Paulo:João dória, ordenou o apagamento de todos os grafites da avenida 23 de maio, provando o quanto a arte urbana possui “raízes amargas” no país por conta do desamparo do poder público.Toda essa descriminação só progredi para o sentimento de opressão dessas minorias, alargando a dificuldade de acensão deles à participação da construção de uma cidade mais inclusa artisticamente.

Portanto,cabe às escolas discutirem sobre as diversas formas de expressão artística no país, inclusive a urbana, e destacar sua importância na construção de características das  regiões.Tudo isso, por meio de excursões para os centros das cidades com os alunos, de modo que eles consigam ver e ouvir sobre a arte de rua e como ela ajuda na comunicação de lutas e culturas, a fim de romper o preconceito.Ademais,o Ministério da cidadania,por meio de verbas,deve ofertar oficinas de arte gratuitas nas cidades,de modo que os artistas consigam expressar sua arte sem serem desamparados.