Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
No Brasil, a arte urbana surge na década de 70 como uma reação as repressões e censura causadas pela Ditadura Militar. Entretanto, tal expressão cultural sofre com a marginalização e inferiorização decorrente do desafio da sua valorização. Diante disso, é necessário destacar dois entraves: o preconceito e a interferência na expressão do direito visual à cidade.
A princípio, a arte urbana é uma forma democrática de produção e acesso cultural, por meio de ações que ocorrem pela ocupação de espaços públicos e, por isso, dialoga com as pessoas que vivem e transitam nas cidades. Contudo, o preconceito que decai sobre essa manifestação cultural está relacionado, principalmente, ao fato de grande parte da arte de rua vir da periferia e surge como uma tentativa de silenciar esse grupo. Dessa forma, na pichação “As ruas falam”, espalhada por diversas cidades do Brasil, é representada a voz das periferias e aqueles que, de modo geral, não tem acesso à arte formal, emparedada nos museus. Logo, o preconceito impede a livre expressão e fomenta a exclusão social de minorias.
Paralelo a isso, a inscrição do indivíduo, no sentido político, na cidade decorre da realização de suas culturas. Segundo a Constituição Federal de 1988 no artigo 5 ° prescreve se livre a expressão da atividade artística, comunicativa e intelectual, independente de censura ou licença. Todavia, o que vemos é a criminalização da arte urbana sob a justificativa de uma suposta necessidade de ordem que provoca um cenário de violência, produzida, principalmente, pelas instituições de controle penal, sendo pela sua ação comissiva ou de omissão. Consequentemente, é preciso reconhecer essa manifestação cultural como expressão legítima de re-apropriação e ocupação das cidades pelas minorias, sendo assim, demonstração de um direito visual à cidade.
Portanto, evidencia-se a necessidade de ações interventivas para maximizar a valorização da arte urbana. Cabe às escolas, que detém um papel primordial na formação do indivíduo, abordar todos os tipos de arte contemporânea, como a rua, enfatizando sua importância na construção da identidade nacional e suas formas de dispersão, por meio de debates e palestras, com o intuito de acabar com o preconceito e a inferiorização dessas expressões artísticas. Além disso, o Ministério da Cidadania, responsável pelo desenvolvimento da área cultural, deve oferecer oficinas de arte urbana, como forma de incentivo e abertura para expressão, para que os indivíduos aprendam sobre e como utilizá-la, a fim de garantir a permanência das identidades visuais e, dessa forma, preservar o diálogo com a sociedade.