Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

No decorrer da história da humanidade, a arte passou por mudanças e, muitas vezes, iniciando-as. Entretanto, uma característica continua inerente a tal: sua capacidade de expressar a relação entre o homem e a sociedade. Nesse contexto de transformação, as manifestações artísticas ultrapassaram museus e bibliotecas, alcançando espaços públicos como ruas, prédios, casas e ficando conhecidas como arte urbana. No Brasil, a “street art” é alvo de grandes desafios para sua valorização, decorrente, não apenas da falta de políticas públicas de incentivo, mas também do próprio preconceito social que marginaliza essa forma de comunicação social.

Constata-se, a princípio,  que um dos principais obstáculos para real valorização da arte urbana é a superação da estigmatização dessa produção artística propagada pela sociedade brasileira. Assim, tal tese é corroborada ao se observar os primórdios dessa forma de comunicação social na década de 70, no Brasil, período esse marcado pela conturbada e violenta Ditadura Militar, símbolo de censura e repressão de diversas esferas sociais, incluindo a arte urbana. Desde então, a marginalização da arte feita em espaços públicos como o grafite, pinturas, intervenções e apresentações é fruto de um preconceito social que associa a “street art” com atos de vandalismo e com a morte da arte clássica e erudita. Dessa maneira, é imprescendível a superação desse estereótipo tendo em vista que essa forma de expressão e denúncia social representa também uma forma de visibilidade dos artistas periféricos de exporem suas produções de arte.

Sob esse viés, também é válido ressaltar  a falta de incentivo público na propagação e realização da arte urbana no Brasil, Como ja abordado anteriormente, desde o início dessa onda artística, esse tipo de manisfetaçãonão foi apoiado e incentivado pelo poder público, e sim recriminado. Hordienamente, esse cenário prossegue. Tal fato foi evidenciado em 2017, no episódio conhecido como “Maré Cinza”, no qual o prefeito da cidade brasileira mais influente -São Paulo- cobriu com tinta cinza muros com pichações e grafite, sob a justifica de “varrer o vandalismo”. Essa postura adotada pelo governo edifica e ratifica o preconceito ja existente na sociedade e dá vazão a atitudes discriminatórias como violência física, verbal aos artistas de rua.

Nessas circunstâncias, é fundamental enfatizar a necessidade de superar os desafios da valorizção da arte urbana no Brasil. Assim, urge que as instituições públicas desenvolvam projetos que incentivem a produção artística, a fim de desenvolver a criatividade e criticidade de alunos em fase de desenvolvimento social,premiando-os com passeios em museus, parque arqueológicos e teatros; Tal projeto deve ser financiado com verbas públicas destinadas a instituições de ensino