Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
Na Pré-História, a arte rupestre surgiu para representar as ações e o cotidiano dos seres humanos, realizada nas superfícies das cavernas. Hoje, existe a arte urbana, feita nos muros e nas paredes das cidades, a qual também tem o intuito social de protestar e denunciar, bem como o estético de embelezar os espaços, todavia nem sempre é valorizada. Dessa maneira, no Brasil, há uma resistência da sociedade em reconhecer ela como arte de fato e do Estado ao não incentivar essa modalidade.
No livro do jornalista José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, existe a metáfora de uma “cegueira branca”, sendo ela causada não por uma impossibilidade biológica, mas sim por uma alienação e uma ignorância presente na sociedade. Essa cegueira, por analogia, é muito presente na realidade social no tocante à marginalização sofrida pela arte de rua, uma vez que, quando questionada, não tem o seu poder de alcance, a sua consciência artística ligada às questôes cívicas e o seu método estético considerados, pois existe um estigma grave de que é um modo de vandalismo, o que não é verdade. Com isso, nota-se que a sociedade, em geral, não considera esse meio criativo uma arte, já que é muito grande a “barreira” causade pela incompreensão e pelo preconceito.
Além disso, outro desafio para valorizar a criatividade artística nas ruas é a falta de incentivo do Poder Público. Nessa linha de raciocínio, é notório que, de acordo com uma das Quatro Liberdades de Roosevelt, todo cidadão tem direito à liberdade de expressão, no entanto tal direito é prejudicado quando o Estado se omite do seu papel de colaborador ao não oferecer cursos de aperfeiçoamento ou, até mesmo, ao negar uma estrutura pública para o artísta expressar o seu trabalho, pois, infelizmente, para muitos, a arte que agrega um valor moral e social é aquela com traços milimetricamente desenhados, a clássica. Diante disso, é perceptível a ausência dos incentivos nessa habilidade.
Por fim, é necessário solucionar esses desafios sobre a consideração inerente à arte urbana. Assim, é dever do Governo educar a sociedade para respeitar e reconhecer o valor crítico anexado por essa modalidade, por meio de ações eficazes que afirmem a sua importante função, a exemplo de implementar as aulas sobre ela nas instituições de ensino (como escolas e universidades), a fim de acabar com a marginalização desse estilo de arte. Ademais, também é responsabilidade do Poder Público polarizar esse trabalho feito pelos artistas de rua, por intermédio de incentivos, como qualificação adequada para o aperfeiçoamento dessa prática e permissão para utilizar ambientes coletivos para exercer o que for aprendido, com finalidade de valorizar esse trabalho tão árduo e transformador.