Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 28/02/2021

O crítrico literário Antônio Cândido fala sobre o direito inaliénavel do ser humano com relação à arte e à literatura. Para ele, essas ciências tem papel e função humanizadora, sendo equipamento imperioso tanto no âmbito intelectual, tanto no afetivo. Entretanto, ao perceber a realidade e o que é preconizado pelo crítico há uma distorção, tendo em vista que, principalmente a arte urbana não ganha a mesma notoriedade perante à sociedade como a acadêmica-ocorrendo, assim, uma valorização em detrimento de outra. Sob esse viés, faz-se necessário compreender as adversidades que impedem a valorização da arte urbana no Brasil-distinção entre arte erudita e popular- bem como os efeitos-afastamento do processo concientizador dos que não tem acesso à “arte vesada”.

É fundamental, em primeira análise, observar a distinção entre arte erudita e popular, sendo esse um dos maiores obstáculos para a valorização da menos abastada. Ao tomar como base o filósofo Michel Foucault, a partir do seu conceito de relações de poder, o qual afirma que o poder é aquele que gera saber, conjunto de conhecimento e crença que caracteriza a verdade, isto é, a arte valorizada, só ganha esse status, por que uma rede de poder legitima isso. Desse modo, esse núcleo, no qual se concentram os poderes, decidem as artes que merecem ser apauldidas, uma linguagem culta como meio ou até espelhem um estilo de vida que “mereça” ser propagado-deixando de lado, as que tem um cunho mais popular, que por vezes deixa de lado o academicismo, mas sempre privelegiando a menagem que quer passar, quer seja para embelezar, quer seja para criticar, quer seja para conscientizar.

Analisa-se, ainda, que como consequência desse afastamento da população da arte popular  deixa de compreender alguns aspectos e ideias que utilizam ela como veículo. Ao tomar como base o livro “Brasil: uma biografia” das historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, que aponta as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas destacam-se “a difícil e tortuosa construção da cidadania”, ainda que o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza, ou seja, ainda que, segundo a lei brasileira lei 706/07, descriminalize a arte de rua, muitos não a veem como de fato é. Desse modo, não param para compreender a mensagem que está presente, se afastando, portanto, do papel conscientizador e cidadão da arte.

Urge, então, a necessidade de sanar a lógica que atua no sentido oposto ao da valorização da arte de urbana. Para tanto, cabe aos centros educacionais -responsáveis pela construção de seres autônomos- passar o valor da arte e suas funções da sociedade. Isso por meio de palestras com estudiosos na área de sociologia, história da arte, além de oficinas para o exercío da arte como direito. Assim, será  valorizado todos os tipos de arte “erudita” e “popular”,assumindo, portanto, o papel já dito inicialmente.