Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
De acordo o crítico literário Antônio Candido, a arte atua no subconsciente e consciente levando a construção do conhecimento e a formação de um caráter. Nesse cenário, é perceptível a importância do street art, ou arte urbana, principalmente como representação de uma parcela da população. No entanto, são notórios os desafios para a valorização desse estilo cultural no Brasil, devido, sobretudo, à ausência de uma educação de qualidade e ao preconceito com a arte urbana.
A priori, um dos motivadores que impede a valorização da arte de rua brasileira reside na falta de uma educação escolar que valorize o conhecimento e proporcione o interesse sobre esse movimento. Nesse aspecto, segundo o pedagogo Paulo Freire, a sociedade brasileira é acrítica devido a uma “educação bancária”, na qual apenas “deposita” saberes sem fomentar uma visão consciente sobre a realidade. Assim, a pedagogia de ensino atual, aborda sobre autores canônico, famosos e reconhecidos nas artes, principalmente dos movimentos artísticos arcaicos, omitindo discursões sobre o street art. Nesse contexto, a arte urbana é marginalizada e excluída, o que dificulta sua valorização.
Além disso, o preconceito da sociedade com esse movimento artístico é um desafio frente à tentativa de valorização da arte urbana. Nessa temática, no documentário Cidade Cinza, Guilherme Valiengo, um dos diretores, criticou a fala de João Doria, na qual o prefeito pede que os pichadores se tornem artistas. Tal ato desse politico de marginalização do Steet art é uma tentativa de silenciar a arte de rua, adotando-a como um vandalismo. Nesse cenário, ele ao utiliza-se de preconcepções presentes na construção cultural brasileira que desvaloriza essa expressão artística, afastando-a de ser símbolo da identidade cultural, evidencia o preconceito existente. Dessa forma, a população brasileira por possuir um caráter elitista e segregacionista rejeita esse movimento, principalmente por ser originado das periferias.
Dessa forma, é necessário que o governo, por meio do Ministério da Educação, exija na grade curricular o ensino dessas manifestações artísticas e as escolas tanto publicas quanto privadas, insira as discursões sobre a importância e debates sobre os preconceitos dessa arte, a fim de proporcionar conhecimento e interesse. Ademais, as empresas privadas façam campanhas, junto com o Ministério da Cidadania, e propagandas com as participações de grafiteiros, nas redes sociais e em horários nobres da televisão, informando sobre tal movimento artístico e quebrando ideias preconceituosas existentes na sociedade, com o objetivo de promover a valorização da arte urbana no Brasil. Além disso, a sociedade deve promover visitas frequentemente em locais de esposições de obras dessa manifestação cultural.