Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

A declaração universal dos direitos humanos garante a todos o direito de usufruir da arte. No entanto, apesar da arte urbana brasileira democratizar o acesso a essa expressão cultural, há ainda diversos desafios para que esta venha a ser valorizada. Dentre esses há o preconceito popular consequência da “camarotização” cultural.

Em primeira análise, destaca-se o estigma associado à arte urbana no Brasil. Uma vez que esta é comumente marginalizada e inferiorizadada por ser majoritariamente realizada pelas classes mais baixas. No entanto, para o sociólogo Antônio Candido, toda arte é uma forma de construção, expressão e, consequentemente, conhecimento, que possui a função de humanizar. Logo, ao favorecer tal acesso à cultura, a expressão artística urbana assume seu papel democratizador dentro da sociedade, estimulando o pensamento crítico da realidade pela população.

Em segunda análise, vale ressaltar a “camarotização” da arte como um importante desafio a ser enfrentado. Esse termo é utilizado pelo pensador Michael Sandel para referir-se à elitização dos meios públicos. De maneira análoga, os campos artísticos brasileiros, que deveriam ser plurais, não agregam nem estimulam as pessoas de classes média e baixa a frequentá-los, seja pela localização ou por estarem atrelados a serviços de alto valor. Dessa maneira, a grande parcela da sociedade sem acesso nem compreensão crítica da arte desenvolve preconceitos a respeito daquela feita em ambientes públicos pela população periférica.

Portanto, é necessário que  as instituições de ensino garantam o acesso e à compreensão crítica do meio da arte, por meio de palestras e excurções ministradas por artístas de rua. Isso permitirá o desenvolvimento de cidadãos ativos e interessados pela área. O Estado, por sua vez, deve garantir a visibilidade dos pintores independentes, estimulando iniciativas estatais e privadas com verba e redução de imposto respectivamente àquelas que aderirem a esses profissionais. Dessa maneira, a valorização desses artístas veiculará o direito à arte aos demais cidadãos.