Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/03/2021
Durante o período da ditadura militar, momento marcado pela intensa repressão, a arte urbana surgiu no Brasil como forma de protesto com o objetivo de transmitir a insatisfação popular, por isso foi intensamente censurada. Na atualidade, a censura configura-se de outra forma para artistas que praticam esse tipo de arte, com a falta de permissões. Diante disso, faz-se necessário analisar como o pré-conceito e a falta de apoio do poder público agravam tal questão. Em uma primeira análise, percebe-se que a existência de uma elite artística contribui para a acentuação do pré-conceito com a arte urbana. A marginalização desse tipo de arte ocorre pelo fato dela não utilizar espaços como museus, teatros ou locais considerados como clássicos para a sua exposição, além disso o uso de diferentes técnicas como grafites, pôsteres, murais e estátuas vivas causam estranhamento com a ideia clássica do que é arte. A manutenção da ideologia que arte é apenas aquela produzida pela cultura erudita contribui para a acentuação do pré-conceito com os artistas e com suas produções, que são desvalorizadas e muitas vezes caracterizadas, de forma errônea, como vandalismo ou pichação como no episódio ocorrido em 2017, em São Paulo, onde o maior mural a céu aberto da América Latina foi encoberto por uma tinta cinza, por ser confundido com pichação. Torna-se necessário também pontuar que a ausência do apoio do poder público agravam esta problemática. A falta de permissão para a realização de determinadas produções que fazem parte da arte urbana, associada a escassa organização de projetos que incentivam a prática dessa manifestação artística evidenciam a falta de interesse dos órgãos administrativos no desenvolvimento e valorização dessa arte. Além disso, a existência da lei que considera pichação como crime de vandalismo, artigo 65 da lei dos crimes ambientais, contribui para a marginalização dos artistas, como grafiteiros, que têm seus projetos artísticos confundidos, como no ocorrido com o grafiteiro Pedro Sangeon que, de acordo com a reportagem do site G1, foi preso e agredido por, supostamente, pichação enquanto grafitava. Logo, fica explícito que as entidades governamentais não prestam apoio necessário aos artistas. Portanto, fica claro que o pré-conceito e a falta de apoio do poder público dificulta a valorização da arte urbana no Brasil. Por isso é importante que o Governo crie campanhas, em parceria com os meios midiáticos, com o objetivo de divulgar a importância da arte urbana para o desenvolvimento social, a fim de solucionar a problemática do pré-conceito. Associado a isso, faz-se importante a criação de projetos por parte do Ministério da cidadania, responsável por exercer práticas culturais, que incentivem a produção de arte urbana.