Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

No final do ano de 2019, na China, surgiu uma nova doença viral, a COVID-19, que posteriormente ocasionou uma pandemia. Dessa forma, os governantes de cada país ordenaram quarentena para a população. Assim, com o isolamento social, a ausência de meios artísticos urbanos no cotidiano dos indivíduos ocasionou um aumento na busca de outras formas de arte, como música e filmes, a fim de fugirem dessa realidade alarmante. Entretanto, o Brasil passa por desafios para valorizar essa forma de expressão das ruas, como uma má instrução nos centros de ensino e descaso do poder público.

Em primeira análise, o pedagogo Paulo Freire diz que a educação brasileira é “bancária”, termo criado por ele, afirma que os alunos são como caixas de banco, nos quais recebem “depósitos” de conhecimento dos professores, sem nenhum estímulo do senso crítico ou orientação para novas visões de mundo. Somado a isso, a atual precariedade do ensino é um obstáculo para a valorização da arte urbana, visto que ela ainda é considerada como vandalismo por parte da população. Desse modo, as escolas e faculdades que não trabalham devidamente essa temática, deixam os cidadãos propícios a cometerem erros, como confundir a pichação (crime ambiental) com a grafitagem (forma artística de rua). Além disso, a falta de instrução dos educandos sobre esse tópico não permite que eles otimizem o usufruto das obras, que normalmente contém uma crítica social ou estímulo à criatividade.

Em segundo plano, na Constituição brasileira de 1988 afirma que todo cidadão tem direito à expressão artística. Confrontante a isso, pode-se analisar o caso ocorrido em 2017, na Avenida 23 de maio em São Paulo, na qual teve os murais grafitados pintados de cinza a mando do poder público. Através dessa controvérsia, é válido afirmar que o descaso do Estado é mais um desafio para o crescimento das expressões de rua, já que alguns tipos de obras há necessidade de permissão para o uso do espaço. Outrossim, é essencial o auxílio estatal para disseminar a arte urbana, a carência de projetos que deem estrutura e suporte financeiro aos criadores não colaboram com a liberdade artística e muito menos com o anseio delas pelos moradores.

Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Portanto, o Estado deve, através do uso correto dos impostos, promover palestras semanais e obrigatórias em todas as instituições de ensino. Logo, trazer estudantes de áreas específicas do ensino superior para estagiar e abordar temas como “a importância da arte de rua no cotidiano”, para que os alunos se conscientizem criticamente  e evitem a educação “bancária”. Ademais, o governo também deve auxiliar na propagação desse estilo artístico, liberando o uso de espaços públicos e lançando campanhas de suporte que con- vidarão a população para apreciar o trabalho, a fim de amenizar os desafios da arte urbana no Brasil.