Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/03/2021
De acordo com o Artigo 5° da Constituição Federal, todo cidadão é livre para expressar atividades intelectuais, artísticas e de comunicação, independente de censura. Saindo do que é oficial e encarando o Brasil real, desafios são comuns apesar da Constituição de 1988, pois a pauta em respeito à liberdade arística, em questão a arte urbana, continua sendo alvo recorrente de preconceito e intolerância por parte da sociedade civil e até mesmo do políticas públicas que inviabilizam o valor dessas expressões. Dessa forma, é válido discutir as causas dessa persistência, bem como as consequências dessa dasvalorização para as pessoas.
No Brasil, a arte urbana surgiu em meio a um período histórico conturbado, a Ditadura Militar na década de 60. Devido a isso, as expressões artísticas já iniciaram no país com um forte cunho político e de protestos sociais, a fim de lutar contra opressão e censura. Por carregar uma lembrança ativista, até a atualidade muitas pessoas consideram as exposições artísticas de rua como uma forma de rebeldia, marginalidade e poluição visual, sem reconhecer que essa é a forma mais direta e acertiva de interagir com a sociedade e de se comunicar com as pessoas por meio do lúdico. Uma prova disso está nos locais de apresentação desses desenhos, poemas e até sátiras, que são pontos de grande circulação urbana, como estações de metrô, pontos de ônibus e muro de praças.
Consequentemente a isso, inviabilização dessa expressões artísticas gratuitas é o mesmo que impedir que grande parte da sociedade brasileira tenha acesso à cultura, à liberdade de expressão máxima do cidadão com o que está em sua volta. Pois, para além do cunho político e de reinvidicação social, a arte urbana também está atrelada a liberdade à criatividade, justamente por ser uma forma de expressão livre estando distribuída em céu aberto pela cidade, sem a presença da mercantilização, como o que ocorre no cinema, teatro e museus. Um exemplo dessa interação criativa está no projeto da Escola Estadual Parque Jurema, em São Paulo, que visa ressignificar o contato de estudantes adolescentes com a escola, por meio da grafitagem, pintando rostos de personalidades importantes da literatura brasileira.
Dessa forma, uma maneira de apoiar diretamente a essa arte é a criação de Projetos Municipais que incentivem programas de acolhimento em comunidades carentes, visando a comunicação de artistas urbanos com jovens, como um meio de resgate da criminalidade e do envolvimento com drogas. Além disso, é necessário que seja quebrado o estigma da marginalização de quem faz a arte, como campanhas de reconhecimento da liberdade de expressão em canais de mídia aberta, no qual a propaganda seja uma forma de publicidade interativa com as pessoas.