Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Nessa frase, o ativista político Martin Luther King faz uma reflexão sobre a apatia das pessoas tidas como éticas acerca das adversidades alheias. Logo, essa postura resignada pode ser observada na realidade brasileira, já que a desvalorização da arte urbana tem sido negligenciada pelas autoridades governamentais e por parte da sociedade no país. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão.

Inicialmente, compreende-se que o Poder Público revela-se omisso ao permitir a desvalorização da arte urbana no Brasil. Isso porque existe uma inificiência, por parte dos órgãos executivos, quanto ao processo de assistência financeira estatal, uma vez que faltam verbas para incentivar o crescimento dos artistas que produzem obras marginais, por exemplo, desenhos visando a revitalização de espaços públicos, prejudicando, com isso, a consolidação desse tipo de expressão nas ruas. Pontua-se, dessa forma, o desrespeito às garantias legais da população por parte do Estado, o que –sob a ótica do filósofo Jean-Jacques Rousseau– seria uma ruptura dos ideias contratulistas alicerçados no século XVIII.

Além disso, enfatiza-se que aceitar a desvalorização da arte urbana é naturalizar algo negativo. Porém, parte da sociedade tem demonstrado certa inércia diante da ausência de aplicação das leis vigentes, visto que falta assegurar o ordenamento jurídico que prevê a legalização das pinturas nas ruas, agravando, com isso, a visão preconceituosa envolvendo essa forma de expressão artística. Recorrendo aos estudos sobre a banalidade do mal da filósofa Hannah Arendt, é possível explicar esse fenômeno, uma vez que os indivíduos, em decorrência de um processo de massificação social, têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado.

Convém, portanto, ressaltar que a desvalorização das artes urbanas devem ser combatidas. Logo, é necessário exigir do governo, via debates em audiência públicas, a assistência financeira estatal, priorizando verbas para incentivar o crescimento das obras nas ruas que visam a revitalização dos espaços públicos, com o objetivo de conferir maior credibilidade ao movimento. Ademais, é de suma importância sensibilizar todo o corpo social, mediante campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, sobre não se manter uma postura inerte diante da aversão que envolve a arte marginal, potencializando, assim, o engajamento coletivo em prol da aplicação da lei que prevê a descriminalização dessa forma de expressão, a fim de gerar uma desruptura de preconceitos existentes sobre essa temática. Desse modo, “romper” o silêncio seria um fator crucial para atenuar a resignação e, com essa postura, solucionar entraves como sinetizado no pensamento de Luther King.