Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/03/2021
No documentário “O Pixo”, é mostrado o processo de pixação na cidade de São Paulo e, também, podemos compreender por essa produção o porquê a pixação é considerada uma forma de arte urbana para os entrevistados. Através dessa obra, é notório os impasses enfrentados pelos artistas de rua e os problemas a respeito de sua valorização como forma de expressão artística. Sob esse víes, pode-se analisar a importância da arte urbana na formação da cidade, assim como a origem de sua negligência.
Nessa perspectiva, a arte de rua ou “street art” tem profunda importância na complementação da paisagem das cidades. Isso porque o grafite ou a pixação é bastante utilizada em prédios ou paredes das ruas, por exemplo, embelezando, assim, as cidades de maneira autêntica, além de serem maneiras de protetos e intervenções. Em março de 2009, foi aprovada, no Brasil, uma lei que descriminalizava a arte urbana e a legalizava, desde que permitida pelos proprietários de muros, refletindo, assim, a ascensão desse movimento nas paredes brasileiras. Dessa maneira, essa ocorrência pode ser considerada como um passo à frente para a obtenção de espaço dessa expressão artística com status de arte.
Além disso, o preconceito ligado à arte urbana é, em sua maioria, por parte dela ser vinda da periferia, consequetemente tornando-a um movimento marginalizado. No entanto, assim como outras formas de arte, a urbana também é uma forma de expressão, de protesto ou até mesmo de estimular a criatividade da sociedade, sendo evidente sua importância à população e a necessidade de valorizá-la. No ano de 2017, o prefeito de São Paulo, João Dória, decidiu apagar os grafites do “maior mural de grafite a céu aberto da América Latina”, evento esse que trouxe uma importante pauta a respeito da importância da arte urbana relacionada ao embelezamento dos espaços públicos, assim como, também, a censura.
Portanto, é evidente os desafios enfrentados pelos artistas urbanos no Brasil e a necessidade de combatê-los. Dessa forma, é necessário que as escolas não só ensinem sobre os artistas conhecidos por todos e passem, também, a discutir sobre a arte de rua e sua essencial importância à cidade e seu processo de formação, para que assim esse movimento artística receba a valorização que merece. Ademais, o poder executivo, por meio do Ministério da Cidadania, resposável por exercer práticas culturais, deve oferecer oficinas de arte urbana a fim de instruir interessados a como utilizar e fazer esse tipo de expressão. Afinal, com essas medidas tomadas, realidades diferentes das mostradas no documentário “O Pixo” poderão ser vistas na sociedade.