Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

O documentário “Pixo” retrata a realidade dos pixadores em São Paulo e como o processo de verticalização da cidade influenciou positivamente. No cenário brasileiro, a classe artística ultrapassa diversos desafios em busca do reconhecimento da arte urbana, sendo necessário debater a importância da valorização de tal e os impasses, como a desinformação e o preconceito.

A priori, ao partir do pensamento de Mário Sérgio Cortella de que a mídia é um corpo docente, ou seja, tem o poder e influência na formação do indivíduo, a arte funciona como maneiraoga a mídia na sociedade. Dessa maneira, ao reproduzir lutas e denúncias sociais, a arte urbana contribui para o processo de identidade, relacionando a história e o local. Logo, promove a inclusão social, tornando-se assim, de tamanha importância a sua valorização.

Em uma segunda análise, de acordo com dado do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), menos de 10% dos professores no Brasil são habilitados a dar aula de educação artística. Tal dado, é reflexo de um dos maiores desafios da arte atualmente: o baixo incentivo nas escolas e a pouca carga horária destinada ao ensino artístico. Com isso, o preconceito é fortalecido pela desinformação, como aconteceu na época dadaísta com a criação do movimento antiarte, que criticava os novos conceitos de arte ao fugir do padrão clássico. Assim, pintores e artistas são generalizados com um déficit na formação profissional, o que dificulta a democratização da arte urbana e o seu alcance.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar os desafios para valorização da arte urbana no Brasil. O Ministério da Educação em parceria com a RUAS (Rede Urbana de Ações Socioculturais) deve promover a democratização do acesso a arte, por meio da criação de oficinas nos espaços públicos e a ampliação dos horários de ensino nas escolas, para que assim, seja possível o reconhecimento e valorização da arte como forma de manifesto e representação cultural, diminuindo portanto, a desinformação e preconceito com a classe artística.