Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/03/2021
Arte urbana: forma de denúncia de mazelas sociais
Apesar de, no ano de 2009, através da lei 706/07, a arte urbana ter sido descriminalizada, há, infelizmente, um grande preconceito e desvalorização desse tipo de representação artística, que tornou-se uma das linguagens sociais. Desse modo, é necessário que analisemos as barreiras a serem transpostas para que haja a devida valorização dessas manifestações e as influências de tal menosprezo na visão da sociedade brasileira perante a “arte de rua”.
Um dos principais empecilhos para o devido reconhecimento da arte urbana é o preconceito, que é fruto de uma disseminada crença de superioridade da chamada “arte erudita” ou “clássica”. Arte essa que, supostamente, iria de encontro com manifestações artísticas feitas pela população de menor renda, ou “populares”, fato que resulta em pensamentos desqualificadores de tais demonstrações, taxadas, desacertadamente, de “desfigurantes” das conturbadas cidades brasileiras.
Em decorrência de tais limitantes preconceitos, muitos dos artistas “de rua” são taxados como vândalos e não têm a devida valorização de seus trabalhos, sendo essa uma realidade lamentável. Tal contexto mostra-se um infeliz e errôneo estorvo, pois a arte feita em ambientes públicos, além de embelezar as ruas poluídas, barulhentas e inquietas das grandes cidades, é uma das formas de denúncia de mazelas sociais, algo imprescindível.
Dessa forma, para que haja o adequado reconhecimento das “artes de rua”, cabe ao Ministério da Cidadania a promoção da arte urbana através de campanhas, visando a melhora do quadro preconceituoso presente na sociedade brasileira. Em adição, é papel da Secretaria Especial de Cultura incentivar a arte em locais públicos através de projetos, de modo a garantir a divulgação desses importantes trabalhos. Por conseguinte, haverá, devido à superação de tais preconceitos, felizmente, a valorização das manifestações artísticas feitas em espaços públicos.