Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

A arte vai muito além das portas de um museu

Por influência dos portugueses, desde o início da formação de uma arte genuinamente brasileira, foi-se valorizando e passando à frente a ideia de que a arte era algo que só poderia ser feito para museus e grandes galerias de arte, e mesmo quando não estava vinculada à essa noção, apenas cidadãos com alto “status social” e formação educacional prioritariamente na Europa poderia realizá-la. Assim, até os dias atuais ela ainda é muito elitista, em que a sua principal definição, que é de ser toda forma de expressão para todos manifestarem sua subjetividade, é constantemente desviada. Pode-se citar, por exemplo, a manifestação artística urbana, que é diversas vezes deixada de lado, sendo de fundamental importância refletir sobre os inúmeros desafios para a valorização dela no Brasil.

Em primeiro plano, vale ressaltar o preconceito que envolve a arte urbana. Por grande parte dela ser feita por artistas da periferia, muitas vezes até como uma forma de protesto, essa manifestação artística recebe variadas tentativas de ser silenciada. Um grande exemplo foi a “maré cinza” que ocorreu no estado de São Paulo no ano de 2017, em que o prefeito João Dória mandou apagar, pintando com essa cor, os grafites presentes na avenida 23 de Maio. Esse ato aconteceu em defesa do Programa Cidade Linda, sendo a ideia de que os grafites e pichações deixam o ambiente urbano feio, totalmente errônea.

Dessa forma, ainda é necessário discutir sobre os problemas legais, não só sendo uma forma de opressão da liberdade de expressão de todo cidadão, esses impasses também contribuem para que a população tenha um olhar ainda mais preconceituoso para com essas manifestações artísticas. Portanto, exitem leis que regulamentam uma dessas formas, que é o grafite, mas em contrapartida, outras leis proíbem diversas formas de arte urbana, como a pichação. Esses são realmente mais exemplos de “cale-se”, assim como os inúmeros do regime militar, dos quais Chico Buarque denunciou na música “cálice”.

Mormente, deve-se dar a devida importância à ela. As formas de fazer com que isso aconteça vão desde mais discussões e debates nas escolas até a valorização por parte do governo (revisando as leis, a título de exemplo). Ainda é válido o incentivo à realização de oficinas de arte urbana, para que essa manifestação artística seja difundida constantemente. Por fim, a difusão de ideias que valorizem-a também é fundamental, como a do documentário “Pixo”, que discute sobre a pichação desde a sua origem como uma forma de expressão que merece respeito e lugar na sociedade.