Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 04/03/2021
A primeira lei de Newton, Lei da Inércia, enuncia que um corpo tende a manter seu movimento, até que uma força atue sobre ele, fazendo-o mudar de percurso. Fora das ciências da natureza, a arte urbana alterou o curso das expressões artísticas no Brasil. Entretanto, a deturpação nos parâmetros de valorização da arte aliado ao ideário marginalizado dessas manifestações contribuem para a manutenção da desvalorização da arte urbana no país.
Em primeira análise, vale ressaltar a elitização da arte como critério legitimador e valorativo. As produções artísticas consideradas relevantes, como o teatro, costumam ser inacessíveis à maioria da população devido ao alto poder aquisitivo necessário para sua contemplação. Segundo Confúcio, a cultura está acima da diferença de condição social. Em contraposição à concepção do sociólogo, o difícil acesso às formas de arte lapidaram um conceito de arte como algo distante para grande parte dos indivíduos. No entanto, as exposições artísticas se diversificaram e se aproximaram do cotidiano das pessoas por meio da arte urbana. Entretanto, o paradigma presente na sociedade, que insiste em inferiorizar essa produção, torna sua valorização um cenário desafiador. Evidenciando, com isso, a necessidade de melhor conhecimento sobre os tipos de arte presentes na contemporaneidade e sua importância social.
Ademais, vale atentar-se para o estigma social no que concerne à arte de rua. O cenário urbano apresenta cada vez mais formas de artísticas livres, mas o pensamento coletivo permanece estagnado no conceito pejorativo da arte urbana. Embora a Lei 706/07, aprovada em 2009, legalize essa prática, percebe-se, na realidade, a coerção social latente no exercício da liberdade artística, na qual seus praticantes permanecem marginalizados e sua arte desvalorizada. Isso demonstra, portanto, que o amparo legal sem o esclarecimento da população impede o pleno aproveitamento dos direitos conquistados por quem estima a arte urbana no país.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir o problema discorrido. Assim, cabe à Secretária de Cultura destinar 15% de suas verbas para patrocinar artistas de urbanos, propiciando melhores condições de trabalho e aumentando a qualidade de suas produções. Além disso, faz-se necessário que se associem aos veículos de comunicação para promover a arte urbana, por meio de propagandas e curtas-metragens nos intervalos da programação de televisão e nos anúncios das redes sociais. Visando, com isso, modificar o conceito de arte como produto da elite e de depreciação da arte de rua. Mudando, dessa maneira, a trajetória da arte urbana no país.