Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 15/04/2021

A arte é utilizada pelo ser humano para expressar seus sentimentos e suas convicções a respeito dos acontecimentos de sua época, segundo a professora Christiane Wagner da Universidade de São Paulo. Tal como aconteceu no início da ditadura militar brasileira como protesto, marco para o começo da arte urbana no país que permanece até hoje, se intensificando nos anos 70. Com isso, desde aquele momento, a arte urbana vem sofrendo repressões diante sua importância e legitimidade, enfrentando desafios mais precisamente por viés político e preconceito estrutural sobre o que é arte.

Antes de tudo, deve-se definir arte. Segundo o site InfoEscola, a prática é definida como uma atividade que manifesta a estética visual desenvolvida por artistas que se baseiam em emoções daquilo que se vive. Diante disso, a representação artística urbana, mais especificamente, o grafite, além de complementar o visual da cidade, expressa a realidade vivida por alguém, que em muitos casos é da periferia. Bem como o documentário “Pixo” ilustra, a verdade dos artistas, que através do grafite se comunicam com a sociedade que sempre os cala, pela inferioridade social, intelectual e econômica.

Sob essa perspectiva, a arte não é apenas reprimida pela representação em si, mas por quem a faz. Nesse sentido, em 2018 o antigo prefeito da cidade de São Paulo, atual governador do estado, apagou diversos grafites espalhados pela capital, pintando-os em seguida de cinza. Como defesa, muitos apelaram para padronização urbana, no entanto, pela Constituição de 1988 que prevê a liberdade de expressão artística, impõem a atitude do político como censura.

Isto posto, é notório que os desafios para valorização da arte urbana são diretamente feridos por política de alguns e preconceito estrutural no reconhecimento de arte. Perante a isso, o Ministério da Cidadania deve oferecer oficinas de arte urbanas gratuitamente, como mais um lugar de expressão, além do aprendizado. Junto a isso, os debates escolares são essenciais, a fim de acabar com os conceitos equivocados, promovidos pelo Ministério da Educação. Desse modo, se tudo for feito, a arte urbana e sua representação não será mais um problema nas cidades .