Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 11/03/2021
“Gentileza”, canção composta pela artista brasileira Marisa Monte, descreve sobre a desvalorização de grafites e pichações pelas cidades, desafio enfrentado por milhares de artistas todos os dias. A falta de comprometimento com a arte urbana e disponibilização de espaços por parte do governo e o estereótipo de marginalidade imposto pela sociedade podem ser apontadas como causas para permanência da problemática.
No ano de 2017, uma polêmica envolvendo o governo de São Paulo e grafiteiros tomou conta das redes sociais. A Avenida 23 de maio, que possuía o maior mural de grafite a céu aberto da América Latina, fora completamente coberta por tinta cinza, apagando qualquer resquício de arte que antes tivera. Bárbara Goy, uma das grafiteiras que participou da criação do mural, disse em entrevista para o jornal GGN “Essa gestão está dificultando o nosso trabalho. Hoje em dia tenho muito mais dificuldade para realizar os projetos particulares”, representando, dessa maneira, o dilema enfrentado não só pelos artistas participantes do mural, como também de toda a comunidade artística urbana, que sofre diariamente com a desvalorização de seu trabalho.
Além disso, a maior problemática envolta na pauta é o preconceito e esteriotipação da sociedade perante a arte de rua. “A população é carente de arte ao extremo, ela não sabe como identificar uma arte”, afirma Bárbara Goy, carência, essa, que resulta em uma interpretação de arte urbana como movimentos marginais e depreciativos de espaços públicos.
Em suma, cabe aos municípios, através disponibilização de muros e espaços públicos, incentivar a arte urbana local a fim de, em parceria com artistas locais e estabelecimentos públicos e privados, a mesma possa ser disseminada e naturalizada em ambientes de grande circulação, promovendo, assim, maior contato da população com as manifestações artísticas.