Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 16/03/2021
A Agenda 2030 é formada por dezessete objetivos da Organização das Nações Unidas (ONU) para transformar o mundo. O décimo objetivo propõe o asseguramento da redução da desigualdade, permitindo que todos os indivíduos tenham liberdade de expressão e respeito. No entanto, hodiernamente, ao relacionar a meta do órgão mundial à realidade brasileira, é imperioso salientar que há o seu descumprimento em relação à valorização da arte urbana no Brasil devido às más condições econômicas dos artistas e ao preconceito que sofrem. Por consequência, são necessárias medidas para reverter esses problemas.
Em primeira análise, na obra “O Mulato”, de Aluísio Azevedo, o personagem Raimundo, enquanto anda nas ruas de uma cidade do interior do Maranhão, encontra um moço fazendo malabarismo com tomates na saída do teatro em troca de alguns “trocados”. Porém, após a apresentação, o rapaz percebe que ganhou apenas quatro moedas e que a quantia não seria suficiente para fazer uma refeição. Assim, ao assimilar a ficção à realidade, é possível ressaltar que as apresentações urbanas, como malabarismos, não são uma boa fonte de renda, uma vez que há a desvalorização desse tipo de serviço graças à falta do conhecimento da sua importância na representação cultural de uma área.
Outrossim, de acordo com o astrofísico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Um exemplo da sua frase é encontrada na série “Modern Family”, a qual o personagem Cam relembra quando ele estava fantasiado de palhaço e estava indo a uma apresentação na sua escola. Durante o percurso a pé até o local, outros adolescentes passaram por ele de carro e zoaram a sua fantasia, alegando que lugar de palhaço é embaixo de sinal pedindo esmola. Logo, ao analisar o aspecto mencionado, é notável o desrespeito com os criadores de entretenimento citadinos, dado que assimilam os seus trabalhos a uma visão discriminalizada de personagens humorísticos.
Desse modo, são necessárias ações capazes de mitigar essas problemáticas. Para tal, o Ministério do Trabalho deve ajudar esses indivíduos, por meio de um auxílio monetário mensal, para que tenham uma renda fixa e consigam sobreviver realizando esse tipo de ofício. Ademais, as escolas devem educar os alunos para a cidadania, por intermédio de palestras e grupos de integração social, a fim de que aprendam a respeitar a diversidade cultural, minimizando a intolerância contra as diversas formas de sustento. A partir dessas atitudes, o combate aos desafios da valorização da arte urbana terá êxito.