Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 20/03/2021

Segundo Rainer Rilke, uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Esse fator reflete a realidade dos artistas de rua brasileiros, que exergam na feitura de obras urbanas uma forma de expressar os sentimentos e renúncias oriundos deles. Ainda sim, essa categoria de expressão artística é tida como um vandalismo de propriedades por grande parte da sociedade, sentimento que remete a uma cultura popular que incentiva cidadãos a não apreciarem tais produções, desde jovens.

No Brasil, a arte de rua não é uma atividade criminosa, ainda que considerada por muitos. Isso se deve a marginalização da figura do artista e de suas obras, o que pode ser visto no popular jogo “Subway Surfers”, no qual a figura do grafiteiro encontra-se em uma fuga policial e é agredido pela autoridade no fim de cada partida. Dessa forma, esse jogo entre inúmeras outras expressões artísticas, divulgada nas mídias, reenforçam esses paradigmas negativos para a sociedade brasileira.

Outro fator para se discutir é a desaprovação estética, por parte da comunidade, quanto ao conjunto de obras urbanas, fator que é incentivado pela falta de divulgação e estudo dessa categoria de arte em ambientes de ensino e midiáticos. Em comparação, é de amplo conhecimento popular obras europeias ou brasileiras com os traços eurocentristas, por parte expressiva da população. Tal comportamento coloca no imaginário nacional,  um sentimento de inferioridade para com a arte de rua.

Assim, analisando os diversos impecílios para a valorização dessa categoria de arte, cabe ao Governo incentivar econômicamente artistas urbanos, por meio de campanhas de produção de obras em centros movimentados das cidadade, a fim de promover um sentimento de admiração popular aos criadores e suas “criaturas”, as artes. Em adição, tanto os ambientes de ensino quanto a mídia, deveriam ensinar a população brasileira, com destaque aos jovens, aulas sobre arte urbana, formando uma geração de pessoas entusiamadas com esse movimento artístico, criando de acordo com Rainer Rilke, novas necessidades.