Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/03/2021
A arte urbana começou na década de 60, no século XX em Nova York, em bairros que queriam conscientizar a sociedade por meio do movimento pela luta dos direitos civis dos afroamericanos para protestarem usando como material o grafite. No Brasil, essa arte chegou 10 anos depois com o mesmo objetivo de arte de protesto contra a Ditadura Militar e com o passar dos anos, o grafite passou de uma arte de resistência, para uma arte a ser expressada de maneira, ampla como o estêncil e instalações artísticas. Uma das característcas da arte urbana é a democratização do acesso a arte, pois está na rua para todos verem, embelezando e humanizando a cidade, em que tira a cor do concreto de uma pilastra, um viaduto, ou da fachada lateral de prédios, dando vida e beleza a esses locais. Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, está sendo mais valorizada e diferenciada da pichação, por meio do projeto lei nº 12408/2011, em que discriminaliza o grafite e a arte urbana, não sendo mais considerada crime contra o patrimônio público e sim considerada uma arte, uma profissão.
Contudo, a arte urbana ainda é marginalizada pela maioria da sociedade e por autoridades que não entendem que o grafite é uma arte e não um vandalismo. Vários grafiteiros e muralistas como Eduardo Kobra, um artista reconhecido mundialmente, expôem que sempre sofreram preconceitos por serem confundidos com pichadores e não é isso! Para grafitar em uma lateral de um prédio ou em uma pilastra de viaduto, por exemplo, falta entendimento de policiais militares que abordam esses artistas com certa rispidez, por não saberem que há uma diferença entre uma pichação (vandalismo e crime), do grafite/arte urbana.
A arte urbana é uma maneira de inclusão social para tirar jovens dependentes químicos da rua, assim como é na Europa, em que usam o grafite/arte urbana para trabalhar com dependentes químicos, pois a arte é muito importante para a inclusão dessas pessoas para a formação até de uma profissão. No Brasil, há muitas comunidades e pessoas com dons artísticos que precisam ser descobertos, pois o grafite está associado a vários movimentos artísticos e, na maioria das vezes, refletem a realidade das ruas.
Mediante o exposto, cabe ao Estado e Prefeituras, promoverem mais espaços nas comunidades e em centros urbanos para futuros artistas grafitarem sua arte, por meio de liberação de leis para esse fim, com o objetivo de diminuir a pichação. Saliente-se ainda, incluir e esclarecer aos militares em parceria com escolas públicas e particulares, por meio de palestras, com o objetivo de divulgar e explicar a diferença entre pichação e grafite/arte urbana, para valorizar esses artistas tão criativos que fazem de centros urbanos, verdadeiros museus de arte a céu aberto para todos os tipos de público.