Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/03/2021
Mesmo com o considerável aumento corrente do incentivo às artes urbanas, muitos brasileiros não as veem com bons olhos. Certamente, o fazem porque associam toda arte urbana com o grafite que, grande parte das vezes, é praticado por organizações criminosas, sobretudo nas grandes cidades. Ademais, a maioria dos cidadãos acham que esse tipo de arte, vindo de quem seja, atrubui à cidade um “ar” de poluição, em vez de adornar.
Numerosa parcela dos cidadãos, especialmente os das gerações mais idosas, frequentemente chamados de mais “conservadores”, não se habituram com o aumento do emprego das artes urbanas nas ruas. Muitos não sabem que, nas chamadas “street arts”, os artistas, em geral, querem apenas se manifestar e expressar, e não fazem parte de gangues, as quais, de fato, ainda são responsáveis por alta quantia delas, manifestada nas pixações, não obstante virem sendo, cada vez mais, substituídas pela arte verídica.
Além disso, no Brasil, várias pessoas têm uma visão adversa em relação a pinturas, por exemplo, em edifícios, como uma chamada “Aquário Urbano”, localizada no centro de São Paulo, que possui mais de 10 mil m². Para elas, essas obras, em vez de enriquecerem e embelezarem, empobrecem e deturpam a imagem das cidades, desfigurando os centros urbanos.
Portanto, cabe aos governos federais, estaduais e municipais promoverem políticas públicas que contribuam para a desassocioação das artes urbanas de organizações criminosas, através de propagandas telelevisivas, outdoors (painéis publicitários) e recursos dessa natureza. Cabe também ao governo federal, junto de estados e municípios, investirem na incorporação e naturalização, desde os níveis mais básicos da educação, das “street arts”.