Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 04/04/2021
Em 1922, no Brasil, ocorreu o evento “Semana da Arte Moderna” em São Paulo. Esse festival, entretanto, foi alvo de desvalorização dos telespectadores brasileiros, dada a sua natureza “inovadora”. De maneira similar, a cultura da arte urbana no Brasil possui desafios ligados à sua valorização social, pois os estereótipos do senso comum relacionados a essa realidade, denigrem, desnorteiam e impedem o avanço de uma singularidade artística no país.
Primeiramente é importante pontuar que o preconceito social é um dos fatores que impedem o avanço da arte urbana no Brasil. As “ideias” geradas no campo do senso comum tendem a associar desenhos, frases e expressões artíticas como atos de vandalismos nas cidades. Essas “divergências”, confirmam-se no cotidiano dos artistas, os quais sofrem com atos de agressões fisicas e verbais, prisões a céu aberto e repúdio por parte de moradores, tais ações são comumente relatadas pelo noticiários brasileiros a exemplo do UOL, reforçando, dessa forma, a ideia de que o preconceito é gerado no campo da ignorância.
Por outro lado, ações políticas contra as culturas urbanas fortalecem a dispersão de ideias contrárias a realização de tais expressões. Em 2006, na cidade de São Paulo, foi elaborado a Lei Cidade Limpa, a qual foi responsável pela proibição e desconfiguração de inúmeras “expressões urbanas artísticas” , contribuindo dessa forma para o aumento do repúdio a esse campo cultural, associando tal representação como “sujeira urbana”.
Entende, portanto, que a desvalorização da arte urbana no Brasil possui raízes na esfera do preconceito social. Para atenuar essa realidade, o Ministério da Educação deve promover, através campanhas curriculares, a inserção de conteúdos disciplinares, especialmente no ensino médio, em que conhecimento prévio das origens, práticas e expressões das artes urbanas sejam valorizados, tais ações devem ser promovidas nos campos de linguagens e humanas, gerando dessa forma o conhecimento prévio, impedindo o preconceito gerado no campo do senso comum.