Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 29/03/2021

É indubitável que em 1964 houve um dos períodos mais repressivos da história do Brasil, visto que a arte era controlada pelo governo. Assim, as intervenções urbanas refletem a liberdade de expressão conquistada novamente após a ditadura militar. No entanto, existem desafios para que a arte urbana seja valorizada devido à falta de informações e ao preconceito artístico.

A princípio, a atitude das escolas de evitar a arte é uma demonstração de como a terceira lei de Newton pode ser aplicada, visto que se toda ação terá uma reação, a prática da desvalorização de artistas tem como consequência a ignorância de uma geração inteira. Com isso, é possível analisar que a escassez de conteúdo sobre intervenções artísticas interfere diretamente para que a arte urbana seja vista como vandalismo. Por conseguinte, o pensamento negativo é passado para frente e torna a valorização da arte um desafio.

Outrossim, o preconceito artístico é uma demonstração da crença das camadas populares mais altas em serem superiores aos grafiteiros manifestantes da arte urbana. Tal discriminação decorre da era Renascentista em que a beleza clássica era vista como a máxima expressão da sociedade, impedindo outras formas de visão do que é arte. Consoante ao pensamento do sociólogo Émile Durkhein, a pressão exercida sobre os indivíduos pode ser considerada coerção social e rejeitar que existe uma dinamicidade no meio artístico aumenta a aversão já existente no Brasil.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação acrescente na Base Nacional Curricular Comum as intervenções urbanas como conteúdo obrigatório da matéria de arte, além de palestras ministradas por artistas de rua e curadores de arte, a fim de combater os desafios do preconceito artístico e aumentar a quantidade de informações existentes sobre arte urbana. Somente assim a conquista da liberdade de expressão será mantida e o pensamento de que artistas são inferiores será extinto.