Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 11/04/2021
A novela “Cheias de charme” apresenta as dificuldades sofridas pelo artista urbano Rodinei, que mantinha duas profissões para se sustentar e era marginalizado devido à arte que produzia. Sob essa óptica, a ficção retrata um problema vivenciado no Brasil, que é a desvalorização do artista urbano e, consequentemente, da sua arte. Nessa perspectiva, a arte de rua enfrenta desafios, como o estigma histórico que associa essa expressão artística com a marginalidade e a falta de financiamento dos artistas.
Primeiramente, é imprescindível ressaltar que a estigmatização da arte urbana como uma prática criminosa impede que ela seja valorizada. Sob esse viés, salienta-se que, durante a ditadura militar, muitas expressões artísticas eram duramente reprimidas como práticas criminosas, dentre elas, o grafite, originário das periferias e principal forma de arte urbana. Dessa forma, sem nunca ter existido uma reavaliação social do valor da arte urbana, a cicatriz histórica que a marginaliza e desvaloriza persiste até hoje, sob a forma da marginalização de artistas como Rodinei.
Outrossim, a falta de financiamento dos artistas urbanos representa o descaso com a arte criada por eles. Sob esse viés, pode-se citar o caso do personagem fictício Rodinei, que nunca foi valorizado como artista urbano até o momento em que passou a receber financiamento pelo seu trabalho, que deixou de ser visto como vandalismo e passou a ser uma arte digna de respeito. Dessa maneira, é perceptível a importância da remuneração, não apenas como forma de valorizar e sustentar o artista, mas também para a valorização da arte feita por ele pela sociedade.
É mister, portanto, que se tome medidas para impedir a desvalorização da arte urbana. Nesse intuito, o Estado, aliado à mídia, deve incentivar uma reavaliação social sobre o valor da arte urbana e valorizar esses artistas. Isso pode ser feito por meio da contratação de artistas urbanos para trabalhar em propriedades do governo, como praças, sendo o papel da mídia divulgar essa arte, a fim de que seu valor seja revisto. Desse modo, o governo combaterá o estigma marginal da arte urbana e financiará artistas.