Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 05/04/2021

No desenrolar do filme “Cinza Urbana”, é retratado o desprovimento de reconhecimento que várias pessoas que trabalham com pichações e com grafites enfrentam, uma vez que, em alguns casos, os seus serviços não recebem devida importância. Analogamente, a ficção não diverge da contemporaneidade, tendo em vista os negativos desafios para a valorização da arte urbana. Nesse sentido, esse fator, que deve ser combatido, provém não da omissão do Estado, mas também de uma falha educacional.                     A princípio, convém ressaltar a escassez de medidas governamentais que contribuam financeiramente com o indivíduos que fazem intervenções artísticas nos centros citadinos. Tal fato ocorre, pois, ainda que na Constituição Federal de 1988 seja prevista à cultura, a existência de uma barreira sociocultural econômica, a qual limita os artistas a se expressarem e a fazerem críticas sociais por meio da arte urbana, impede que essa norma constitucional, na prática, seja devidamente evidenciada. Nesse âmbito, nota-se a quebra do Contrato Social, proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma que é direito do Estado assegurar o cumprimento das leis. Em virtude disso, é inaceitável que esse cenário continue, visto que, devido à falta de incentivos e o desprovimento de capital adequado a compra de materiais para a realização das pinturas, diversos indivíduos deixam de se expressarem nos muros das cidades, perpetuando a desvalorização dos artistas urbanos e a redução desses trabalhos no Brasil.                               Ademais, sabe-se que, no ambiente escolar, existe uma carência na abordagem básica cultural, por exemplo, a conscientização dos jovens para combater o preconceito que os grafiteiros sofrem. Tal feito acontece, porque, a Base Nacional Comum Curricular não apresenta uma disciplina que aborde essa temática. Segundo o educador Rubem Alves, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, ou seja, são capazes de proporcionar voos ou condições de alienação. Nesse contexto, os colégios funcionam como gaiolas, dado que permitem que os estudantes permaneçam desprovidos de informações pertinentes sobre a importância das artes urbanas para manter a cultura ativa. Consequentemente, inúmeros jovens passam a estereotipar os artistas citadianos como meros bandidos, de forma a não valorizarem e a discriminarem esses meios artísticos, por, geralmente, considerarem essas expressões feitas nas ruas exemplos de poluições e de vandalismos.                                                          Portanto, compete ao Ministério dos Direitos Humanos - responsável pelos direitos nessa área - promover a doação de verbas públicas para as grandes cidades, ação que possui a finalidade de, com o capital doado, ajudar as pessoas que não possuem apreciação da população em suas artes. Isso deve ser feito por meio de uma parceria com o governo federal. Além disso, esse ministério deve fazer uma palestra, nas instituições escolares, para aumentar a relevância e o reconhecimento da arte urbana.