Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 06/04/2021
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O movimento modernista inaugurou no Brasil uma liberdade artística reprimida pelos padrões estéticos europeus exportados, o retrato das características do país e dos problemas sociais caracterizou o período, que teve baixa aceitação popular, assim como ocorre atualmente com a arte urbana. A desvalorização sofrida por ambos os estilos mostra que existe um conservadorismo na sociedade que limita a expressão artística e inibe a criatividade.
Um dos fatores que contribuiu para o desmerecimento das pinturas presentes nos muros das cidades é o conceito de belo existente no Ocidente, herdado das esculturas greco-romanas e reforçado pela precisão e realismo das pinturas renascentistas. Esse padrão cultural é responsável pela inflexibilidade presente nas sociedades atuais, que não aceita bem diferentes formas de expressão e propagação de ideias.
Além disso, o fato das artes urbanas nascerem nas periferias e apontarem críticas aos problemas sociais presentes nesses locais, criou barreiras para os artistas que tem grande dificuldade para apresentar suas obras em espaços tradicionais ou nas mídias visuais, uma vez que são associados, na maioria das vezes, à marginalização e vandalismo. Apesar do Estado ter legitimado essa forma de expressão através da lei 706/07 e incentivado a presença das pinturas nas cidades, não foi o suficiente para mudar o pensamento coletivo.
Isso nos mostra que os desafios enfrentados pela arte urbana no país são reflexos de uma construção cultural baseada em preconceitos e conservadorismos históricos. Para que esse cenário mude é preciso integrar a população com a cena artística que está a seu redor, portanto, as prefeituras municipais devem criar eventos culturais para promover artistas locais, assim a população teria um contato direto com as obras e com seus significados, além de participarem de processos criativos para ressignificarem que tudo pode ser arte!