Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 17/04/2021

O documentário “Pixo” conta as origens da pichação e como se tornou uma expressão urbana típica da metrópole paulistana desde os tempos de ditadura civil-militar. A partir do curta-metragem, é notório que a valorização da arte urbana ainda é um desafio no Brasil, visto que há um forte preconceito da sociedade contra esse tipo de expressão e falta de políticas públicas provenientes do descaso do Estado ao reconhecimento dessa arte brasileira .

Primeiramente, é valido ressaltar o primeiro registro de pichação como arte no Brasil foi o emblemático “Abaixo a Ditadura”, um protesto contra as repressões e censuras causadas pela Ditadura Militar. Nesse sentido, a arte urbana sempre esteve interligada a resistência e manifestação das pessoas, em sua maioria, periféricas. Dessa forma, com o passar dos anos, o preconceito contra os artistas e esse tipo de expressão se tornou cada vez mais comum, muitas vezes interligado a milícias e ao crime organizado devido às suas origens.

Em segundo plano, vale salientar também que o governo brasileiro aprovou uma lei que descriminaliza a arte de rua. Apesar de isso se tornar um reflexo da paisagem evoluindo em arte nas ruas brasileiras, na prática, esse tipo de expressão ainda sofre muito preconceito por parte do Estado. Em São Paulo, sobre a tinta cinza, o prefeito mandou apagar manifestações de alguns pichadores. Nesse sentido, segundo John Locke “onde não há lei, não há liberdade”, percebe-se então, que embora tenham algumas políticas públicas, o Estado ainda pratica formas de reprimir a liberdade de expressão e manifestação dos indivíduos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação juntamente com um Secretariado Especial de Cultura conscientizar os jovens, por meio de aulas extracurriculares e palestras, sobre a importância da liberdade de expressão e a história por trás da arte urbana. Além disso, o Governo Federal deve tanto promover a valorização da arte brasileira, por meio de eventos gratuitos ou de baixo custo para a população, quanto flexibilizar as políticas públicas de opressão das formas de expressão. Assim, a cultura urbana será mais valorizada e seu acesso se ampliará a todos os públicos.