Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 13/04/2021
Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, pondera que todo cidadão possui o pleno acesso à cultura e à liberdade de expressão. Entretanto, o caminho para a profícua valorização da arte urbana no Brasil enfrenta muitos desafios. Nesse viés, é preciso entender a importância dessa arte no contexto da plena cidadania, bem como postular o preconceito como o entrave desse quadro, de modo que urgem medidas por parte do Estado.
Sob esse prisma, vale pontuar, a princípio, o papel substancial desse primor urbano para o frutífero desenvolvimento social, pois essa modalidade artística, enquanto uma representação da realidade brasileira, recrudesce o senso crítico dos invidíduos. Nesse sentido, a crescente urbanização brasileira nítida a partir do século XX, a citar pelo surgimento do muralismo e do grafite, faz com que a classe média comece a questionar o sistema político brasileiro, o que foi significativo para a ampliação da democracia. Paralelamente, percebe-se que essa arte urbana é essencial para a cultura nacional, sendo necessária sua preservação e sua democratização, com o objetivo de elucidar novos setores sociais.
Simultaneamente, é lícito afirmar que grupos conservadores tendem a taxar a arte urbana como um ato de vandalismo. Esse impasse, fruto do preconceito e do etnocentrismo, revela o panorama individualista da sociedade moderna, o que obstaculiza a plena valorização dessa arte no país. Nessa conjuntura, o conceito de ‘‘Amensalismo social’’, arquitetado pelo linguista brasileiro Jason Lima, ilustra bem tal perspectiva, uma vez que, segundo ele, grupos privilegiados tendem a inibir o desenvolvimento dos vulneráveis, análago ao acontecimento no qual o ex-prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, ordenou que retirassem as obras de grafite da cidade. Logo, nota-se que esse preconceito deve ser mitigado, por intermédio da supervalorização da arte no sistema educacional, a fim de moldar uma sociedade que usufrui vultosamente da arte urbana brasileira.
Em suma, diante dos problemas supramencionados, fica clara a necessidade de medidas governamentais. Portanto, com o fito de democratizar a arte urbana no país, visando abolir tal preconceito e intensificar tais manifestações artísticas, torna-se imperioso que o Ministério da Educação crie um plano nacional de acolhimento à arte urbana, pautado em aulas, palestras e manifestações nas escolas e universidades, para que os estudantes protestem em prol da defesa da arte urbana, demonstrando seus benefícios e conquistas. Isso deve ocorrer mediante um pacote de ações orçamentárias a ser incluído no Plano Plurianual, a saber: políticas públicas e incentivos estatais. Assim, os decretos da Constituição Cidadã, serão, de fato, usufruídos de forma frutífera no Brasil.