Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 19/04/2021

Na obra “Esconderijos do Tempo”, Mário Quintana demonstra em diversos poemas sua satisfação em contemplar o ambiente citadino; destacando a beleza das luzes e o seu ritmo acelerado. Caso o autor ainda estivesse vivo, certamente teria prazer em escrever a respeito da arte urbana; a qual embeleza a cidade e manisfesta os interesses da sociedade. Por outro lado, o preconceito com essa forma de manifestação artística desvaloriza não só a aparência do ambiente, mas também a liberdade de expressão. Urge, pois, a primordialidade de pormenorizar as causas e as consequências desse revés.

É importante pontuar, de início, o valor da arte urbana para a exteriorização da criatividade do indivíduo ou como forma de protesto. Nessa perspectiva, o grafite, feito apartir de latas de “spray”, origina a criação de imagens de diversas cores e tamanhos sem adotar padrões estéticos. Tal manifestação influencia muitos jovens, sobretudo das periferias, a serem artistas; expressando suas ideias e queixas da realidade em que vivem. Durante a ditadura militar, por exemplo, muitos protestos ultilizavam a pichação em cartazes e muros para mostrar o descontentamento com a falta de liberdade e a opressão sofrida por muitos. Desse modo, a arte urbana se configura como uma forma coletiva de criação cultural, a qual ainda encontra desafios para consolidar a sua aceitação.

Outrossim, é necessário destacar que o vandalismo potencializa o preconceito da sociedade em relação a arte urbana, uma vez que pinchar muros de propriedades sem a autorização do proprietário é crime. Essa realidade gera um pensamento generalizado na sociedade de que toda expressão artística de rua é uma depredação de coisas públicas ou privadas. Sob esse prisma, em 2017, João Dória, prefeito de São Paulo, apagou os grafites e as pinchações dos muros da cidade; cobrindo-os com uma tinta cinza. Tal fato representa que os governantes e seus apoiadores não valorizam essa arte e nem a sua origem, logo são preconceituosos por acreditarem que as figuras e as frases exibidas pelos criadores é vandalismo e não uma manisfestação cultural.

Destarte, atenuar os desafios relacionados a valorização da arte urbana no Brasil é fundamental. Primeiramente, o governo federal, por meio de uma parceria com a mídia, deve divulgar propagandas em sites, aplicativos e canais de TV a respeito da importância das pinchações e do grafite para as cidades na qualidade de uma expressão que não deve ser vista como vandalismo. Vale, ainda, que as secretarias de cultura dos municípios contratem artístas para realizarem obras em muros e prédios públicos, a fim de ornamentar a cidade e incentivar esse trabalho. Espera-se, com essas medidas, fazer jus ao modo de ver o ambiente citadino do poeta Mário Quintana.