Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/04/2021
“A arte é consolar aqueles que são quebrados pela vida”, assim disse Van Gogh, pintor do século XIX, que dedicou sua vida, entre idas e vindas, ao universo artístico. E é na arte descrita pelo pintor que a parcela marginalizada da população brasileira, a apartir da década de 70, São Paulo capital, começa a tentar reerguer-se, expressar-se e impor-se. Essa forma de política vem quebrando paradigmas da “sociedade das aparências”, onde procura ecoar sua voz por toda a cidade e desmitificar preconceitos. Por isso, é necessário entender as origens da relutância social em valorizar esse movimento e os impasses existentes para a perpetuação da arte urbana brasileira.
Em primeira análise, o contato com a arte em solo brasileiro se deu com a vinda da corte da família real, 1808, em que a arte detinha monopólio exclusivo da elite. Entretanto, o amâgo dessa expressão contemporânea artística tem como origem os becos e vielas das periferias e regiões suburbanas do Brasil. Ou seja, mesmo no transcorrer da história, a arte nunca teve origem na margem, por isso enfrenta precoceito por romper com o modelo belas artes e explicitar a desigualdade social, tanto maquiada pelos acadêmicos, que é a realidade dos artistas urbanos. Mas, ao passo que essa manifestação é alvo de retaliação por parte dessa elite, consegue alcançar camadas da sociedade em que nenhum museu adentra, exatamente por representar os excluídos e atribuir-lhes a sensação de pertencimento àquele lugar.
Além disso, essa manifestação política-artística foi vista como algazarra, por se consagrar durante o período da ditadura civil-militar, em que a existência dessa arte era retratada como inimiga do Estado e, dessa maneira, foi perpetuada pelas gerações mais antigas e conservadoras. Ademais, a arte urbana é notoriamente distinta do vandalismo, visto que esse crime é uma das ferramentas de deterioração da manifestação. Por outro lado, apesar das retaliações físicas, como citado anteriormente, ela encontra impasses para a sua liberdade de expressão, seja pelo não suporte aos artistas, que não possui prestigio nem econômico, nem social, tanto por parte do governo quanto das entidades civis.
Em suma, urge a necessidade de reconhecimento da arte urbana, não apenas como ferramenta de entreterimento, mas também como aspecto político e social. Outrossim, a valorização deve vir através da ampliação do conhecimento, por isso o Ministério da educação, através de incentivos estudantis, palestras e aulas, deverá incluir o estudo sobre as expressões artísticas urbanas. Além de a Secretaria Especial da Cultura, auxiliar, através de suporte burocrático, econômico e publicitário, iniciativa civis que objetivam a popularização dessa arte para todas as faixas etárias, seja através de exposições, manifestações ou outras formas de pluralizar a arte urbana.