Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/04/2021
A série televisiva norte-americana “Orphan Black” evidencia, entre outros temas, o desprezo de muitas pessoas às pintura excêntricas de Félix (personagem secundário). Nessa temática, observa-se, na sociedade hodierna brasileira, o mesmo desprezo e antipatia pelas artes não usuais retratados na série. Dessa maneira, é possível afirmar que o Brasil tem preconceitos enraizados com as expressões artísticas fora do padrão, principalmente a arte urbana. Além disso, nota-se que o Estado brasileiro não tem interesse em incentivar as manifestações culturais das cidades. Logo, faz-se imperiosa análise sobre os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar a frase de Cazuza, cantor nacional, que diz: “Eu vejo o futuro repetir o passado”. Tal excerto retrata a dificuldade que populações têm de evoluir, pois sempre tendem a reproduzir e valorizar ideais antigos e a descreditar os novos. Paralelamente, as populações brasileiras seguem o mesmo raciocímio em se tratando de arte urbana, haja vista que não valorizam nem fomentam essa arte, pelo contrário, denunciam-nas e reprimem-nas. Destarte, conclui-se que esse desapreço se deve à propensão natural do povo em rejeitar propostas contemporâneas, resultando em preconceito e desdém. Em consequência disso, a arte urbana é cerceada e tida, por muitas vezes, como feia e como vandalismo.
Outrossim, é mister salientar que, no final do primeiro trimestre de 2009, o governo brasileiro legalizou a arte de rua, desde que se tivesse a autorização do proprietário do suporte a ser utilizado, como muros e fachadas. Nessa lógica, vê-se que as autoridades autóctones deram certa atenção às manifestações culturais das cidades. Contudo, tal atenção é insuficiente para a valorização dessa expressão artística, pois, modernamente, ela demanda reconhecimento da sociedade, o qual não é possível sem o incentivo do Estado em promover a arte urbana. Por conseguinte, os artistas de rua têm seus propósitos suprimidos.
Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, as escolas brasileiras devem promover o ensino acerca da importância de não desdenhar das diferentes e plurais expressões artísticas, mesmo que, em primeira análise, elas não agradem, por meio de palestras e materiais lúdicos a fim de diminuir o preconceito com a nupérrima arte de rua. Ademais, o Estado brasileiro deve incentivar essa arte por meio de investimentos destinados à produção de mais espaços preenchidos com grafite a fim de suscitar o reconhecimento da sociedade em relação à arte urbana. Dessa forma, atenuar-se-á o desprezo, retratado na série “Orphan Black”, presente na sociedade brasileira.