Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 25/04/2021

Durante o Modernismo, movimento artístico ocorrido no século XX, a sociedade da época desmerecia as obras por elas se caracterizarem pela liberdade estética. Atualmente, no Brasil, isso não é diferente. A arte urbana enfrenta desafios, a exemplo do preconceito, por causa de sua origem e sua forma de manifestação. Portanto, é necessário o debate acerca das ausências de educação social e de investimentos por parte do Governo perante à arte urbana no território verde-amarelo.

Em primeira análise, é notável que a falta de educação social colabora com a discriminação contra a arte urbana. Segundo o filósofo alemão Nietzsche, “a arte existe para que o homem não morra de verdade”, ou seja, ela serve de refúgio e denúncia em momentos históricos do Brasil. Perante a isso, porém, o grafite- prática de desenhar em locais públicos- é visto pela população como um ato de “vandalismo”. Isso acontece porque a arte urbana é originada da periferia e de revoltas contra as autoridades políticas, a exemplo da Ditadura Militar; assim, por causa da desinformação, as pessoas partem do pressuposto que ela é produzida por cidadãos de má índole. Dessa forma, a ausência de educação social provoca maior demonização da arte urbana.

Em segunda análise, o desprezo governamental gera desinteresse pelas obras periféricas. De acordo com a Legislação, o grafite foi descriminalizado apenas em 2009, sofrendo um processo tardio de aceitação. Mesmo que a arte urbana promova o avanço do turismo local e a mudança na qualidade de vida de pessoas desfavorecidas, a conduta gerencial perante ao movimento revela o abandono de um dos pilares da cultura brasileira. Por isso, até hoje, a arte urbana é raridade quando se trata de investimento por parte de algum líder político e, consequentemente, a popularização do movimento se torna impossível. Sendo assim, a falta de políticas públicas nesse setor concebe obstáculos no processo de “democratização” da “street art”.

Então, medidas são necessárias para solucionar os desafios que a valorização da arte urbana enfrenta no Brasil. O Ministério da Cidadania, em parceira com o Ministério da Educação, deve investir no âmbito cultural periférico através da implementação de palestras em instituições educacionais realizadas por artistas, a exemplos de grafiteiros, que abordem os benefícios que a “street art” promove socialmente, a fim de educar a população precocemente acerca da importância dessa prática. Assim, a situação regressista vista no século XX, durante o Modernismo, não será mais uma realidade no Brasil.