Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 29/04/2021
É muito provável que Banksy seja o artista mais misterioso do mundo. Apesar de seus grafites estarem bem presentes em Londres serem facilmente reconhecidos, a identidade dele ainda é desconhecida. As obras de Banksy são um ótimo exemplo de arte urbana, mas demorou até serem reconhecidas pelos críticos e, até mesmo, pela população geral. No Brasil, também, o grafite ainda não é apreciado quer seja por elitismo quer seja por preconceito. Dessa forma, talvez o maior desafio que impede que a arte de rua atinja maior público seja as definições divergentes do que é belo.
Durante a década de vinte, o dadaísmo entrou em ascensão. Na França, um artista transformou um urinol em uma peça de museu sem muitas modificações. Com isso, a definição do que é ou não arte começou a ser bem debatida. A arte urbana e o dadaísmo são diferentes, mas o debate que trazem à tona é praticamente o mesmo. Devido ao fato de a comunidade artística ser composta por membros de uma elite intelectual, certas manifestações não são tratadas com tanta seriedade, tornam-se marginalizadas, e o restante do público, com pouco acesso, passa a acreditar que elas têm menos mérito.
Não obstante, muitos associam intervenções artísticas metropolitanas com vandalismo. Mesmo sendo legalizado, o grafite adquiriu uma imagem negativa. Em 2017, o governo de São Paulo tomou a decisão de combater a poluição visual e vários grafites foram apagados. Há uma diferença entre grafite e pichação, porém grande parte das pessoas trata ambos como mutuamente exclusivos e é, então, que surgem os estereótipos que prejudicam a legitimação de desenhos feitos em murais.
Portanto, o Ministério da Cidadania deve, através de políticas de incentivo, transformar expressões artísticas urbanas em algo mais acessível com a finalidade de aumentar a sua apreciação estética. Assim, será possível ampliar o embelezamento das cidades pela arte.