Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 21/04/2021
Durante a ditadura militar, cenário marcado por censura e opressão, artistas de rua encontraram na arte urbana um meio de se expressarem. Atualmente, em meio a tanta desigualdade, a voz artística urbana continua viva e lutando para não ser mais silenciada.
Bastante difundida nas periferias do Brasil, a arte urbana reivindica por direitos e luta contra opressões vividas pelas classes mais marginalizadas da sociedade. O desafio que artistas de rua encontram para a valorização dessa arte, entretanto, está alinhado ao preconceito por trás das leituras que não veem protestos e liberdade expressos na arte, mas uma visão marginal e criminalizada dela.
O preconceito não é recente. Mesmo com a aprovação da lei 706/07 em 2009, que descriminaliza a arte de rua, encontramos um grande estigma quando se fala de arte urbana. O grafite, uma das artes de rua mais conhecidas, ganha destaque em muros de cidades de todo o Brasil. Mas o termo “pichação” ainda é muito utilizado de forma errônea quando as pessoas querem se referir à grafitagem.
A problemática está no silenciamento de artistas que, muitas vezes, só encontram voz na arte urbana. Essas pessoas são silenciadas pela sociedade e, então, só encontram voz para trazer questionamentos sobre assuntos como racismo, política e outros problemas sociais nas exposições feitas nas ruas.
Recai sobre a sociedade, portanto, o compromisso de avaliar com mais atenção e consciência as artes presentes nas ruas, uma vez que elas evidenciam problemas sociais e protestam com beleza. Sendo assim, desde que haja a parceria entre comunidade, escola e governo, debates podem ser feitos para uma maior valorização da arte e do artista urbanos. Dessa forma, construiremos uma sociedade mais tolerante e inclusiva para todos.