Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 28/04/2021

As primeiras expressões artísticas urbanas, advindas de manifestações políticas, surgiram a partir das repressões militares no país em 1964, a partir disso, a arte urbana passou por várias mudanças pelo território nacional. Contudo, apesar de conter enorme carga artística no meio urbano, existem desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Dessa forma, torna-se necessário analisar o preconceito associado às artes urbanas e seu silenciamento nas instituições de ensino.

Nessa perspectiva, é necessário falar sobre o preconceito às modalidades artísticas urbanas, principalmente por advirem da periferia. Manifestações como o grafite e a pichação são comumente categorizadas, por grande parcela da população, como uma forma de vandalismo, e que seus praticantes devem ser repreendidos por realizar tais obras murais, que a olhos hostis, são interpretadas como depredações. No documentário “Pixe”, que mostra a vida dos grafiteiros paulistanos, é apresentado o preconceito contra tais artistas e aos pichadores, principalmente pelas obras serem um retrato da realidade periférica e causarem um impacto social. Com isso, evidencia-se a importância de se combater tal preconceito em prol da valorização da arte livre.

Além disso, o silenciamento escolar sobre as diversas modalidades de street art (arte urbana) acaba prejudicando a valorização desta. Isso pois, ao trabalhar as formas artísticas mais populares no país e excluir as manifestações artísticas urbanas da grade curricular, as escolar falham na formação sociocultural do aluno, que ao se deparar com os grafites e murais pichados nos centros urbanos, não saberá interpretá-los corretamente, abrindo espaço ao preconceito. O filósofo prussiano Immanuel Kant, ao falar sobre a educação fundamental, explicita a importância do ensino escolar difundido desde a infância para construir o individuo de forma completa. Dessa forma, destaca-se a importância de se trabalhar a arte urbana nas escolas, visando despertar uma maior percepção sociocultural no aluno.

Portanto, cabe às escolas brasileiras em parceria às Secretarias Municipais de Cultura realizar, por meio de palestras ou projetos artísticos voltado aos alunos, projetos educacionais que podem contemplar: debates, palestras e oficinas artísticas. Dessa forma, promoveriam um contato do aluno com as artes urbanas e proporcionariam o conhecimento a respeito delas, sanando curiosidades plurais e consequentemente combatendo o preconceito que poderia ser construído sem tais informações. Além disso, o Ministério da Cidadania poderia realizar campanhas nas mídias digitais com o intuito de divulgar artes urbanas como a pichaçao e o grafite, fomentando sua popularidade e de acordo a isso, sua valorização em todo o território nacional.