Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Os titãs, banda de renome no rock brasileiro, cantam “A gente não quer só comida a gente quer comida diversão e arte”, defendendo que a arte é algo que dignifica o homem, sendo considerada uma necessidade primordial à vida. Diferente do que é cantado, a manifestação artística encontra diversos obstáculos para ser valorizada no país e essa problemática se revela ainda maior quando os artístas usam as ruas como telas, isso devido à  negligência de um público antojado e a postura do Estado frente à essa forma de arte.

Em primeira análise, é lícito afirmar que a arte de rua sofre com a invisibilidade aos olhos de pessoas que vivem em um contidiano caótico, incapazes de parar para apreciar, refletir e criticar dada manifestação artística, contrariando o maior propósito do fazer arte na rua, o de realizar um encontro dela e de seus debates com a vida. Seguando o sociólogo Zygumunt Bauman, “As pessoas seguem a correnteza obedecendo às suas rotinas diárias e antecipadamente resignadas diante da impossibilidade de muda-lás, e acima de tudo convecionados da irrelevância e ineficácia de suas ações ou de sua recusa em agir”. Com isso, é coerente afirmar que as pessoas que vivem presas à suas rotinas e corrida contra o tempo ficam cegas frente à emoção e reflexão que o grafite, as estátuas, as apresentações de rua propõem, construindo uma sociedade acritica, sem voz, imparcial sobre qualquer debate, sem emoção e sem história.

Sob outra perspectiva, pode-se afimar que a arte de rua encontra desafios em ser estimada como consequência de uma postura também negligente e censurável do Poder Público que, em vez de promover e incentivar uma forma de arte que dá vez e salva, principalmente, as camadas mais afetadas por uma sociedade desigual ou mesmo que nos  é assegurada no artigo 6º da Constituição Federal, ele não investe, censura e criminaliza. A exemplo disso, no ano de 2017, o atual governador de São Paulo, João Doria, propôs o programa “São Paulo Cidade Linda”, que previa apagar todos os grafites das ruas da cidade mais urbanizada do país, pintando-as de cinza. Ou seja, censurou a arte, apagou as cores, calou as vozes de artistas que lutam para mostrar sua arte.

Percebe-se, portanto, que as adversidades encontradas pela arte urbana na busca de sua valorização exige medidas imediatas. Assim, torna-se imperativa a ação do Governo Federal no investimento e na promoção da arte de rua, por meio do patrocínio de artístas que anseiam por expor sua arte, que serve muitas vezes como fuga de uma realidade antagônica à beleza artística, para que ela os salve na medida em que atribui cor, vida, e promove debates às ruas. Ademais conscientize a população do valor de tal manifestação, permitindo que essa seja estimada como algo primordial à vida.