Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/04/2021

No documentário “Cidade Cinza”, grafiteiros paulistas contam o trágico projeto de João Dória, prefeito de São Paulo, chamado “Cidade Linda”, que consistiu em apagar com tinta cinza as artes de grafite e picho. Dessa forma, percebe-se o silenciamento da voz periférica como forma de expressão artística por parte política, evidenciando o preconceito e a perda da identidade cultural da cidade de São Paulo.

Desde o inicio, em meados da década de 60, a arte muralista é utilizada como manifesto, expressão dos sentimentos ou críticas, destacando-se a frase “Abaixo à ditadura” num período tão conturbado da história brasileira, o qual limitou os meios de expressão. À partir disso, pode-se perceber um grande desenvolvimento das artes urbanas brasileiros, com representações valorizando característica nacionais, os indígenas, os pretos, nordestinos, o meio ambiente e chegando até muros internacionais.

Ademais, é importante destacar a dificuldade legal que grafiteiros e pichadores enfrentam ao serem enquadrado sem leis ambientais e de vandalismo, criminalizando a forma de arte que lhes trazem dignidade e conforto diante dos problemas vividos. Diante da lei, é possível enxergar a demonização daquilo que deveria ser desenvolvido pois faz parte da cultura urbana. Segundo um dado da Prefeitura de São Paulo, nos dois primeiros meses do ano de 2017, 70 pessoas foram presas, o que pode contribuir para a superlotação de presídios e poderia ser resolvido com simples ações ao invés do humilhante e precário ingresso ao sistema prisional brasileiro.

Portanto, é necessária a disseminação de arte urbana nas escolas a fim de diminuir o preconceito diante delas, incentivar a população, principalmente os jovens, a ter voz para escolher o que faz bem para todos, de forma democrática. As leis deveriam ser amenizadas e abertos espaços para realização da arte de rua, podendo transformar a cidade do cinza ao arco-íris e promovendo até mesmo o turismo.