Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 23/04/2021
O “Index Librorum Prohibitorum”, criado pela igreja católica no século XVI, tinha como finalidade impedir a circulação de determinados livros que dificultavam o controle social exercido pela instituição naquela época. De forma semelhante, pode-se perceber que hoje, no Brasil, existe uma desvalorização intencional das expressões artísticas marginais pois elas, quase sempre, denunciam uma realidade de exclusão. Portanto, faz-se necessário discutir os empecilhos gerados pela falta de educação artística de parte da população, bem como pelo preconceito, na valorização da arte urbana no país.
De início, pode-se perceber que a falta de educação artística por parte da população faz como que se crie na sociedade a falsa associação entre arte e perfeição estética, o que dificulta a valorização da arte urbana, que apresenta características próprias. Isso acontece pois, ao não possuirem esse conhecimento, os indivíduos ficam sucetíveis ao que lhes é apresentado pela grande mídia, a qual, na maioria das vezes, expõe apenas as expressões artísticas tradicionais. Esse fato pode ser percebido ao analisar as produções cinematográficas, nas quais, quase sempre, se faz referência a obras pertencentes a movimentos artísticos que pregam a exatidão das formas.
Ademais, é notória a exitência de preconceitos por parte da população brasileira em relação as expressões artísticas urbanas. Isso se deve ao fato de, na maioria das vezes, essas obras serem criadas com a intenção de denunciar as realidades de exclusão vividas pelos artístas que habitam as periferias das grandes cidades do país, o que incomoda os indivíduos mais privilegiados. Esse contexto corrobora com as ideias do sociologo alemão Karl Marx, o qual dizia haver uma luta entre as classes dominante e dominada, na qual a primeira com o intuito de impedir uma revolta da segunda, tenta de todas as formas silencia-la, inclusive lhe negando o direito de fala.
Portanto, a valorização da arte urbana no Brasil tem como empecilho a falta de educação artística de muitos cidadãos, bem como o preconceito de outros. Para a solução desse quadro, faz-se necessária, por parte do Ministério da Educação, a inclusão da disciplina de artes no currículo escolar para todas as séries do ensino fundamental e médio, objetivando criar nos alunos uma visão mais ampla que os permitam compreender e apreciar as mais diversas expressões artísticas. Também, torna-se imperioso que o Ministério da Cultura em parceria com o Ministério das Comunicações, criem e veiculem, nos meios midiáticos tradicionais e nas redes sociais, campanhas educativas as quais devem ter como finalidade esclarecer a população quanto a importãncia das manifestações artísticas, combatendo, assim, o preconceito. Pois, dessa forma, será possível existir um sociedade livre de novos “Indexes”.