Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 24/04/2021

A arte urbana surge na década de 70, no Brasil, mais especificamente em São Paulo, como forma de expressão e fala, perante a Ditadura Militar que estava caminhando para ser implementada no país. No entanto, o período ditatorial aparamenta ter deixado marcas consideráveis na produção artística, visto que muitos produtores, principalmente do grafite, são silenciados e minimizados constantemente pela população e pelo poder público que tentam, a todo custo, extinguir seus trabalhos, o que evidencia uma visão totalmente conservadora e errônea sobre essa categoria de artista.

De início, pode-se destacar os muros da Avenida 23 de Maio, em São Paulo, que representavam uma grande forma de expressão de rua, mas foram apagados pela prefeitura. Esse acontecimento, além de ter desrespeitado invalidado todo um trabalho, foi um recuo na luta árdua, especialmente dos grafiteiros, para a intensificação e reconhecimento de seus trabalhos, justamente como afirmou Bárbara Goy - uma das integrantes que participou da criação desse mural. Desse modo, todo processo de construção e representatividade foi jogado para o alto e, com isso, todo um conhecimento intelectual e artístico foi desvalidado a custo de nada.

Ademais, comprova-se que há, ainda, uma visão conservadora em relação à categoria dos artistas de rua, já que a prática do grafite, com maior frequência, é vista como vandalismo e poluição visual, fatos que evidenciam que a população é carente ao extremo em relação à arte, uma vez que não sabe reconhecer uma representação artística e seus significados. Sendo assim, nota-se a minimização e dificuldade no que tange ao enfrentamento dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Tal perspectiva pode ser comprovado por Adriano Freitas, significante artista de rua brasileiro, que escreveu acerca da questão social que taxa o Brasil como um país conservador e que só reconhece pontos artísticos padrões, como teatro, música e dança . Assim sendo, o embelezamento das cidades e, acima de tudo, as formas de reivindicação social, política e religiosa de um grupo são comprometidas.

Portanto, é mister que o Estado, como instância mais influente da nação, juntamente com o Ministério da Cultura, crie um Plano de Integração Artístico(PIA), com o objetivo de tornar a arte de rua uma cultura social. Assim, verbas devem ser destinadas ao Plano, com o objetivo de fazer com que as pessoas reconheçam esse trabalho como forma de representatividade. Com isso, as ações do PIA devem ser divulgadas através de meios de comunicação, interação e concentração de pessoas, de forma totalmente arcada pelo governo, como uma maneira de intensificar a prática e também como um pedido de desculpa pelo apagamento dos muros da Avenida 23 de Maio.