Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 24/04/2021
A arte é uma forma de expressão humana e pode ser representada de diversas maneiras, como na música, na dança e na pintura. Ela é tão importante que está garantida na Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia jurídica do país. No entanto, é notório que as manifestações artísticas de camadas menos abastadas da sociedade são marginalizadas e silenciadas, haja vista que o grafite - arte popular na periferia desde as décadas de 70 e 80 - era criminalizado pelo Estado até 2011. Nesse sentido, fica evidente que os desafíos enfrentados para a valorização da arte urbana no Brasil estão relacionados ao preconceito, segregação e a falta de reconhecimento dos artistas.
É relevante abordar, primeiramete, o impacto do preconceito sofrido pela arte urbana, que deveria ser vista como elemento complementar à paisagem e valorizada por auxiliar na construção de identidade cultural. Porém, muitas vezes ela é vista como vandalismo, principalmente o grafite. A origem periférica é marca desse tipo de arte e, em muitos casos, usada como instrumento de protesto e manifestação de insatisfação popular ao longo da história do Brasil - como por exemplo as pixações da Ditadura Militar, hoje consideradas elementos históricos. Dessa maneira, a segregação e a criminalização dessa arte foram ferramentas importantes para silenciar os grupos “rebeldes”.
Cabe destacar, ainda, a falta de reconhecimento dos artistas, que contribui ainda mais para o agravamento da problemática. Um dos maiores exemplos disso foi o programa “Cidade Linda” de João Dória, prefeito de São Paulo, que promoveu a pintura de muros em vários bairros da capital, cobrindo de cinza diversas pichações e grafites, e, de certa forma, apagando parte da história de seus autores. A arte funciona como uma engrenagem de transformação social, com o papel de descentralizar os valores da sociedade, além de transmitir opiniões e dar voz. Por isso, é necessário que medidas sejam tomadas para que os artistas de rua ganhem destaque, e consequentemente, a sua arte seja valorizada.
Portanto, verifica-se que o preconceito, a segregação e a falta de reconhecimento são fatores que perpetuam o entrave e que precisam ser minimizados. Para isso, as escolas de nível fundamental e médio devem, por meio do ensino, promover a discussão, na discipina de artes, de diversos artistas, não apenas os canonizados e recohecidos, e também sobre a arte de rua e suas vertentes. Nesse sentido, o intuito de tal ação é promover a o destaque desta e outras manifestações artísticas brasileiras. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania, responsável pela promoção da cultura, ofertar oficinas de arte urbana para a população, com o objetivo de perpetuar o conhecimento acerca da arte urbana na sociedade e diminuir o preconceito. Pois, como dizia Paulo Freire, a educação sozinha não é capaz de mudar o mundo, mas tampouco o mundo pode ser mudado sem ela.