Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 03/05/2021
Segundo a revista “Perspectiva Sociológica”, os muros, como outdoors de concreto, apresentam todo o seu manancial de possibilidades de expressão. De tal modo, a arte urbana se constitui como importante ferramenta de voz da periferia, além de tangenciar as temáticas sociais em forma de protesto ou como desenvolvimento da criatividade. No entanto, embora o Brasil tenha aprovado a lei 706/07 que descriminaliza a arte de rua, tal movimento ainda encontra desafios no que diz respeito à elitização referente ao âmbito da produção cultural e, por consequência, o preconceito como produto da segregação imposta aos grupos socialmente marginalizados.
Em primeira análise, ao se remeter à vinda da corte portuguesa ao Brasil, constata-se que o consumo e produção artística era restrito às classes sociais dominantes. Dessa forma, acarretou-se o descrédito ligado à elitização no que tange ao âmbito cultural e, como resultado, o corpo coletivo com menor poder aquisitivo era impossibilitado expressar seu potencial criativo ou reivindicar seus direitos por meio da arte.
Por conseguinte, a incompreensão da arte urbana também pode ser encarada como um reflexo do preconceito suscitado pela marginalização de qualquer produção realizada pelas classes periféricas. Nesse sentido, em relação ao grafite por exemplo, existe a problemática associada à estigmatização desse movimento como vandalismo ou sinônimo de pixação. Assim, a expressividade desses grupos minoritários acaba sendo sucumbida, como em São Paulo, quando o governador João Dória pintou os muros da Avenida 13 de Maio de cinza a fim de apagar toda a arte de rua, o que corrobora a desvalorização dessa vertente cultural no país.
Destarte, observa-se que os desafios à valorização da arte urbana são produtos da elitização dessa vertente cultural e também do preconceito suscitado pela sua associação ao vandalismo. É fulcral, portanto, que o Ministério da Educação, por intermédio da Secretária de Cultura, execute, nas escolas públicas e privadas, um projeto que, por meio de aulas e oficinas de exposição, vise elucidar e promover a arte de rua, de modo a demonstrar sua importância como ferramenta de protesto e desenvolvimento da criatividade. Assim, será possível usar a educação para vencer a desvalorição desse processo artístico.