Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/04/2021
" Temos a arte para não morrer da verdade", citado por Friedrich Nietzsche, a se referir à arte como um meio de representar a vida de uma forma mais transparente. Partindo para a atualidade do Brasil, é perceptível ainda uma grande desvalorização da arte nos grandes centros urbanos, já que as pinturas realizadas em espaços públicos possuem uma finalidade de relatar os problemas sociais vigentes no território. A partir desse contexto, é fundamental pontuar um entrave presente na esfera política que não permita essa valorização, bem como na esfera social.
É inegável notar, primeiramente, que o Brasil possui uma visão retrógada predominante sobre a arte urbana, visto que no século XXI há uma visão conservadora do âmbito artístico. Tal questão pode ser justificada pela falta de representatividade pública que estimule a prática da arte e a sua valorização, assim como o reconhecimento de quem a realiza, por gerarem mudanças na forma que o indivíduo busca lidar com situações cotidianas, proporcionando uma análise da realidade. Um exemplo dessa desvalorização foi a extinção do Ministério da Cultura, em 2019.
No que tange, ainda, ao meio social, é notório a banalização dos problemas socioeconômicos como uma barreira para difusão da arte urbana. Isso acontece porque há, enraizada na sociedade, uma percepção romantizada dos indivíduos em relação à atualidade, na qual não é gerado transformações e continua-se vivendo em um país em que a desigualdade social e o preconceito com a arte urbana cresce exponencialmente.
Portanto, para que essa visão retrógada seja desconstruída, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente a Secretaria da Cultura, promova a valorização da arte urbana como transformadora social. Tal iniciativa pode ocorrer por meio da criação de um Projeto Nacional de Incentivo à Arte Urbana, estimulando as pinturas de prédios e de espaços abandonados nas capitais brasileiras, oferecendo mais “vida” ao local. Afinal é chegada a hora de valorizarmos a arte e deixarmos ela nos confortar diante de todas as dificuldades enfrentadas.