Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/04/2021
Anita Malfatti, hoje considerada um ícone da história artística brasileira, foi alvo de severas críticas contra suas obras na Semana de Arte Moderna de 1922. Ao voltar-se aos dias atuais, percebe-se que histórias de discriminação como essa se repetem, uma vez que a arte urbana (pinturas constituídas majoriatariamente por grafite, feitas nos muros das grandes cidades) enfrenta diversos desafios para ser valorizada. Alguns deles devido, principalmente, à errônea associação feita pela população entre a arte de rua e o vandalismo, além da falta de incentivos a manifestação dessas artes por parte dos órgãos públicos. Logo, faz-se necessária a tomada de medidas que revertam a problemática citada.
Em primeira análise, a arte de rua enfrenta preconceitos por parte de diversos cidadãos. Segundo relatos do grafiteiro Eduardo Kobra, era comum que ele e seus colegas recebessem, enquanto pintavam, xingamentos como “vai trabalhar, vagabundo” ou “vândalos” pelos transeuntes, o que os desestimulavam a continuar. Sendo assim, a liberdade e o progresso da arte discutida tornam-se um desafio diante da desvalorização vinda dos civis.
Outrossim, por vezes o poder público falha em prestar o devido suporte à arte de rua. Exemplo disso está no ex-prefeito de São Paulo, João Dória, que mandou apagar todas as pinturas da área central paulista. Com isso, o problema é, portanto, ainda mais agravado, uma vez que o preconceito contra a arte urbana passa a vir não só de alguns grupos sociais, como também da esfera detentora de poder.
Diante dos aspectos citados, é imprescindível que o Ministério da Cidadania atenue o sectarismo presente na população acerca da arte urbana, por meio da realização de campanhas — que podem ser divulgadas tanto na mídia quanto nas redes sociais — que tragam as diferenças entre o vandalismo e a verdadeira arte de rua, sendo essa capaz de trazer cor e vida às cidades. Isso, a fim de acabar com as associações equivocadas feitas pelas pessoas. Ademais, cabe à comunidade artística (não só da arte citada, como de todas as esferas) realizar manifestações nas redes midiáticas exigindo respeito pelos órgãos públicos sobre a arte urbana, para que essa não sofra mais censuras e marginalizações por tais órgãos. Assim, a arte discutida não sofrerá mais desvalorização, como o ocorrido com Anita Malfatti.