Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/04/2021
Basta andar pelos grandes centros urbanos do país para se ver encantado e intrigado por ela. A arte urbana tomou conta das laterais de prédios e dos muros das ruas nas últimas décadas. Contudo, embora seja, hoje, uma forma de expressão artística legítima e legalizada, ainda é vista por parte da sociedade como vandalismo.
Para compreender esse conflito, é necessário investigar por que a arte de rua é vista dessa maneira. A arte urbana deriva-se do grafite, uma prática que sofreu diversas transformações ao longo do tempo. No entanto, quando se fala em grafite hoje, é comum associá-lo às assinaturas ou mensagens vulgares grafadas em paredes e muros de casas e condomínios, sem autorização de seus proprietários ou propósito social.
Por outro lado, a arte de rua se insere como uma manifestação distinta: a intenção do autor é outra. Seu objetivo é embelezar a paisagem urbana por meio de obras com fundo estético, que provocam sensações e reflexões diversas em seu espectador — o transeunte. Frequentemente comportam mensagens — visuais e textuais — de cunho político ou crítico social. É a voz do artista à margem da sociedade que encontra no concreto seu lugar de fala, produzindo cultura.
Portanto, é importante agir em defesa da livre expressão e da legitimidade da arte de rua. O Ministério da Educação deve levar seu estudo à sala de aula, a fim de mitigar o preconceito que se impõe como barreira à prática dessa arte. Adicionalmente, o Ministério da Cultura deve realizar campanhas de valorização da arte urbana e exposições digitais gratuitas, de modo a reduzir estigmas e promover sua relevância artística e cultural.